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Março Mulher: Empreendedorismo feminino cresce no Brasil, mas desigualdades persistem, movimento oferece fortalecimento gratuito para mulheres negras empreendedoras
Em um cenário em que o empreendedorismo feminino no Brasil segue em crescimento, ainda existem desigualdades que impactam diretamente as trajetórias de mulheres negras. Segundo dados do Sebrae, o país já conta com mais de 10,3 milhões de mulheres à frente de negócios, o que representa aproximadamente um terço de todos os donos de empresas no Brasil, um número histórico que reflete protagonismo econômico feminino no país.
No entanto, apesar do avanço em números absolutos, as mulheres ainda enfrentam desafios significativos. Os negócios liderados por mulheres, em média, rendem menos e estão menos diversificados, e há evidências de que empreendedoras negras são particularmente impactadas por desigualdades de renda e faturamento.
É nesse contexto que o movimento “Uma vai e puxa outra” se apresenta como uma iniciativa gratuita dedicada ao fortalecimento integral de mulheres negras que empreendem. Com encontros quinzenais, o movimento une apoio emocional, acesso ao lazer, cultura e bem-estar e conteúdos de gestão estratégica, reconhecendo que saúde emocional, identidade e rede de apoio são tão fundamentais quanto o capital financeiro ou técnico na sustentabilidade dos negócios.
Tamires Santos é gestora pública, psicoterapeuta e especialista em Empreendedorismo e Desenvolvimento Humano, com atuação na interseção entre saúde mental, estratégia de negócios e políticas públicas voltadas à equidade racial e de gênero. Neta de Alaíde do Feijão, líder do movimento negro e da cultura baiana, e de Dona Carminha, quilombola do Recôncavo Baiano, constrói sua trajetória a partir da força ancestral e do compromisso com o desenvolvimento coletivo. Atualmente, é Coordenadora Geral de Fomento ao Empreendedorismo Negro no Estado da Bahia, integra a Comissão Nacional da Estratégia Elas Empreendem e é fundadora do movimento “Uma vai e puxa outra”, iniciativa gratuita de fortalecimento emocional e estratégico para mulheres negras empreendedoras.
“As mulheres negras empreendedoras representam uma parcela crescente das lideranças empresariais no Brasil, mas muitas vezes continuam excluídas de redes de apoio, oportunidades de crescimento econômico e espaços seguros de autocuidado e desenvolvimento profissional. Precisamos rever o conceito de empregabilidade e empreendedorismo para acolher essas trajetórias de forma mais ampla e humana”, afirma Tamires Santos, idealizadora do movimento.
Com o objetivo de enfrentar esses desafios de forma coletiva, o movimento acredita que fortalecer emocionalmente é uma estratégia econômica e social. Espaços de escuta, trocas culturais e práticas de bem-estar são estruturados junto a conteúdos de gestão, planejamento e propósitos de negócio, reforçando que crescimento econômico e cuidado emocional podem caminhar juntos.
“O empreendedorismo feminino não pode ser visto apenas como uma saída individual para a desigualdade. Especialmente para mulheres negras, ele também precisa ser espaço de acolhimento, descoberta, descanso e fortalecimento coletivo”, complementa Tamires.
?O movimento se destaca como um espaço gratuito e acessível, com inscrições abertas para mulheres negras que buscam transformar seus projetos e trajetórias profissionais através de processo compartilhado, visibilidade estratégica e fortalecimento emocional.
Por Caroline Vilas Bôas
