Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Instituto Butantan lança projeto para incentivar a presença de meninas na ciência
No Dia Internacional da Mulher (8/3), a Plataforma Zebrafish do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, lança o projeto “A Ciência no feminino: explorando o Zebrafish”, iniciativa que busca aproximar meninas de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo e região metropolitana, de vivências em laboratório e características do universo da ciência.
Um dos objetivos da idealizadora do projeto, a pesquisadora
científica do Laboratório de Toxinologia Aplicada (LETA) Monica Lopes
Ferreira, é colocar a ciência como uma possibilidade de carreira futura
para meninas. Nesse sentido, a Plataforma Zebrafish, dedicada ao estudo
do peixe conhecido como zebrafish ou paulistinha (Danio rerio), funciona
como uma porta de entrada para as áreas de ciência, tecnologia,
engenharia e matemática (STEM).
“Na tecnologia, por exemplo, usamos microscópios e softwares
para observar o movimento do peixe, a atividade do coração, além de
equipamentos específicos para estudar o animal. A engenharia está nas
estruturas e nos sistemas onde o zebrafish é criado. E a matemática está
em tudo, desde os cálculos para o acasalamento até a contagem de
embriões e o percentual de sobrevivência”, explica.
Escolas interessadas na iniciativa podem entrar em contato com a equipe da Plataforma Zebrafish (plataforma.zebrafish@butantan.gov.br).
O projeto é aberto a instituições de ensino públicas e privadas, com
observações em laboratório e atividades em ambiente escolar.
O zebrafish, também conhecido como paulistinha, é um peixe
pequeno de água doce que se assemelha em 70% com o ser humano – em
relação a certas doenças, chega a ter uma semelhança de 84%. Por essa
razão, ele é utilizado como modelo experimental em pesquisas
científicas, podendo substituir antigos modelos animais tradicionais,
como ratos e camundongos.
Ampliando horizontes
Além do objetivo de formar futuras cientistas, o projeto “A
Ciência no feminino: explorando o Zebrafish” busca apresentar diferentes
possibilidades de atuação dentro e fora da pesquisa. No laboratório, as
participantes irão entender a ciência como um campo aberto, integrado a
diferentes interesses. “Queremos que essas meninas entendam que podem
ocupar esse espaço, que deem o primeiro passo, que não tenham receio”,
resume Monica.
Outras iniciativas de divulgação científica realizadas pela
Plataforma Zebrafish já comprovaram o potencial desse contato. Ao final
delas, os estudantes escrevem cartas contando sobre a experiência no
laboratório. Em um dos registros, uma criança contou que, apesar de não
querer seguir carreira científica, passou a se imaginar como ilustradora
– após contato com um dos seis livros utilizados na atividade da qual
participou. Em outro relato, uma estudante destacou a representatividade
do encontro: “Eu sempre sonhei que podia, mas não sabia que podia”.
Para Mônica, é esse o impacto que ela busca provocar. “Eu quero que a menina olhe no espelho e pense: ‘eu posso’”, afirma.
A trajetória do modelo experimental no Instituto Butantan
O uso do zebrafish no Instituto Butantan surgiu a partir da busca
por um modelo experimental que já vinha se destacando em instituições
de referência, tanto nacionais como internacionais. Com o apoio da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a
pesquisa sobre o animal passou a integrar o Centro de Toxinas, Resposta
Imune e Sinalização Celular (CeTICS).
Mais do que ampliar as possibilidades de pesquisa, a escolha do
zebrafish também abriu caminho para aproximar a ciência da sociedade.
Nesse contexto, surgiram iniciativas como a Plataforma Zebrafish, criada
em 2015, que reúne atividades voltadas ao público, e projetos como o
Paulistinha Chega às Escolas, que leva o conhecimento científico para
dentro das salas de aula.
As ações dialogam com um princípio que orienta o trabalho
desenvolvido ao longo dos anos: a ideia de que a ciência precisa ser
acessível e compartilhada. “Para mim, ciência só é ciência quando ela é
compartilhada com a sociedade”, afirma Mônica.
Ao longo de uma década, o Instituto Butantan se consolidou como
uma das referências no uso do zebrafish no Brasil. A Plataforma
Zebrafish já motivou a publicação de mais de 30 artigos científicos,
promoveu cursos de capacitação e impactou diretamente a formação de mais
de mil pesquisadores.
Fonte: Ascom Butatan
