Milena Santana Santos foi contratada há sete meses como engenheira de inspeção da unidade PE1 da Braskem, em Camaçari (Foto: Divulgação)
Braskem amplia presença feminina na engenharia e atinge maioria nas novas admissões na Bahia
Em uma área historicamente masculina, 63% dos profissionais de engenharia admitidos pela Braskem na Bahia, em 2025, foram mulheres. O fato consolida uma mudança significativa no perfil das novas admissões técnicas na petroquímica, refletida em todo o setor industrial, e que ganha importância no mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2020, apontam que 775,1 mil mulheres foram contratadas para atuar no setor industrial brasileiro. Em 2025, o número saltou para 1,3 milhão. De acordo com o Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego ano passado, sinaliza que as mulheres representam 29,6% da força de trabalho na indústria.
Um exemplo deste novo tipo de profissional do setor é a engenheira de inspeção da unidade PE1 da Braskem, no Polo Industrial de Camaçari, Milena Santana Santos. Contratada há sete meses, Milena, que tem formação de técnica em Mecânica e Engenheira Mecânica, ambas pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), destaca que não teve muitas referências femininas durante seus anos de formação, mas diz enxergar uma mudança no cenário.
“Tive poucos exemplos femininos que devem ter encarado desafios maiores e abriram caminhos para nós, que viemos depois. No entanto, hoje é notório o aumento da presença feminina. Estar incluída neste contexto me motiva a continuar e até servir de exemplo para futuras profissionais que possam vir ocupar essas posições”, afirma.
Admitida na Braskem há oito meses, a engenheira de manutenção Gabriela Souza Araújo lembra que, na faculdade de Engenharia Mecânica, havia cinco mulheres em uma turma com 40 pessoas. Para ela, ver mulheres ocupando cada vez mais posições que antes eram dominadas pelos homens é de extrema importância, especialmente no quesito representatividade.
“Você pensa: ‘Eu estou no lugar certo, este local me pertence’. Isso valida ainda mais nossas escolhas. Hoje, precisamos falar sobre isso, mas espero que um dia essa conversa não seja mais pauta e que as mulheres possam transitar por qualquer ambiente profissional, ocupando posições em todos os níveis hierárquicos”, ressalta.
Ana Luiza Salustino, gerente de Pessoas e Organização (P&O) da Braskem no Nordeste, destaca que os números internos da empresa estão alinhados com o cenário nacional. “Em 2025, 32% dos cargos gerenciais da industrial eram ocupados por mulheres, e nas plantas industriais do estado, a presença feminina em funções operacionais cresceu 3,3%” nos últimos três anos, pontua.
Ela destaca ainda que desde 2015 a Braskem vem desenvolvendo iniciativas de promoção da equidade de gênero, comprometidas com os Princípios de Empoderamento da Mulher (WEPs), da ONU Mulheres e do Pacto Global, e principalmente com foco nos pilares de Carreira da Mulher; Maternidade e Paternidade; e Saúde e Segurança.
“Ao longo dos anos, foram implementadas ações como programas de mentoria, mentoria reversa - em que lideranças são aconselhadas por integrantes de grupos minorizados -, ampliação da licença-maternidade para seis meses em todo o Brasil e instalação de salas de apoio à amamentação nas unidades. As Redes de Afinidade de Gênero e o programa ‘Respeito é Inegociável’ também integram a estratégia, promovendo diálogo, acolhimento e esclarecimento sobre temas como discriminação e assédio”, ressalta Ana Luiza.
Testemunha ocular desta mudança de perfil na indústria, a analista de gestão de desempenho sênior da manutenção, Rebeca Gomes Peleteiro, atua na Braskem desde 2006, no entanto já tinha experiência pregressa na indústria. “Quando comecei, quase não havia mulheres. Não existia, por exemplo, modelo feminino de fardamento”, relembra.
Para ela, a presença das mulheres no setor se retroalimenta, já que as que conseguem ocupar seus espaços influenciam as mais jovens a também buscar seus objetivos. “É empoderamento. Conquistar seu espaço, ir galgando, servindo de inspiração. É como quando a gente vê uma mulher pilotando um avião. Você vê a pessoa na posição e aquilo te dá confiança em dizer: eu gosto, eu vou fazer”, conclui.
Capacitação é a chave - Dois fatores em especial ajudam a explicar o aumento da presença feminina no setor e a mudança do perfil de contratações nos últimos anos: a chegada da indústria 4.0, cuja digitalização e evolução de máquinas inteligentes demandam cada vez menos trabalho braçal e cada vez mais habilidades analíticas e tecnológicas; e o fato das mulheres, em geral, se capacitarem mais. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, as mulheres têm em média maior escolaridade do que os homens e representam a maioria entre aqueles com ensino superior completo (20,7% contra 15,8%).
Para a engenheira de instrumentação Iasmim de Souza Cortes, contratada há cinco meses, há uma mudança positiva, mas que ainda existem entendimentos inconscientes que precisam ser modificados. “Por exemplo, o pensamento de que a mulher precisa se masculinizar para estar no ambiente de indústria, além de outros vieses com relação à maternidade, à credibilidade técnica, de estar tendo sempre que provar sua capacidade o tempo todo”, acrescenta.
Elas na manutenção - Desenvolvida ao longo do ano de 2025, pelo líder da Manutenção, Davi Ohlweiler, em parceria com a equipe de P&O da Braskem, a iniciativa Elas na Manutenção promoveu rodas de conversa, diálogos de sensibilização, fortalecimento de redes de afinidade e aproximação com instituições de ensino.
Segundo Ana Valéria Soares, responsável em P&O pelo desenvolvimento do Elas na Manutenção o objetivo da iniciativa é ampliar a presença feminina na área da manutenção, além de inspirar mulheres a seguirem carreira na área industrial. “Buscamos não apenas atrair e desenvolver talentos femininos, mas também fomentar um ambiente mais inclusivo, colaborativo e sustentável, capaz de refletir a pluralidade da sociedade e impulsionar a inovação dentro da companhia”, afirma.
Ela destaca que o perfil geral de contratação do setor de manutenção já aponta uma evolução importante. “De janeiro de 2024 a dezembro de 2025, o número de engenheiras admitidas (58%) para a área ultrapassou a de homens (42%). Os dados refletem o resultado da associação entre intencionalidade e meritocracia nos nossos processos seletivos”, conclui Ana Valéria.
