Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Arquivo O Candeeiro
Chuvas disparam proliferação do ?Aedes aegypti? e casos de dengue
Com o aumento das chuvas em diversas regiões do país, os casos de dengue voltam a preocupar no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, o país ultrapassou a marca de 840 mil casos apenas nos primeiros três meses do ano, com registro de óbitos e circulação do vírus em diferentes regiões. O cenário repete um padrão conhecido: o acúmulo de água favorece a proliferação do Aedes aegypti e amplia o risco de transmissão.
Segundo a infectologista Tassiana Galvão, da Santa Casa de São Roque, unidade gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Prefeitura de São Roque, o aumento está diretamente ligado às condições climáticas. “O excesso de chuvas amplia a quantidade de focos de reprodução do mosquito, o que resulta em maior circulação do vírus e mais casos”, afirma.
A médica explica que existem quatro sorotipos da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e que os sintomas iniciais tendem a ser semelhantes. “O que muda é a gravidade, principalmente em pessoas que já tiveram a doença por outro sorotipo”, diz. Nesses casos, aumenta a chance de complicações como sangramentos, queda de pressão e dor abdominal persistente.
Na prática, diferenciar dengue de outras viroses comuns, como gripe ou Covid-19, nem sempre é simples. “Ela costuma provocar febre alta, dores intensas no corpo, dor de cabeça e mal-estar intenso, enquanto infecções respiratórias tendem a vir acompanhadas de tosse, coriza e dor de garganta”, explica. A orientação é buscar avaliação médica, já que o diagnóstico precoce influencia diretamente a evolução do quadro.
Alguns sinais exigem atenção imediata, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência excessiva ou queda de pressão. “Esses sintomas indicam risco de agravamento e demandam avaliação rápida”, afirma. Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas ou imunossuprimidas apresentam maior risco de complicações.
Outro alerta é contra a automedicação. “Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos”. A médica reforça ainda que a hidratação adequada também é fundamental durante o quadro, ajudando na recuperação e na redução de complicações. Mesmo após a melhora inicial, o acompanhamento segue sendo importante, já que casos aparentemente leves podem evoluir de forma inesperada. Avanços nos testes rápidos têm facilitado o diagnóstico nos primeiros dias da infecção, permitindo intervenções mais precoces.
Além do cuidado individual, a prevenção continua sendo a
principal estratégia contra a dengue. “Eliminar água parada em
recipientes domésticos, manter caixas-d’água bem vedadas e observar
ralos, bandejas e vasos de plantas são medidas simples que reduzem
significativamente o risco de transmissão”, conclui.
CEJAM Ambiental intensifica ações nos territórios
O CEJAM Ambiental tem reforçado a prevenção à dengue por meio de visitas domiciliares, educação ambiental e mobilização comunitária, em articulação com o Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), da Prefeitura de São Paulo.
Segundo Bruno Saito, gestor ambiental do CEJAM, as equipes observam principalmente o armazenamento inadequado de água dentro das casas. “É comum encontrar vasos de plantas em que ocorre apenas a troca da água, sem higienização do recipiente, o que não elimina ovos e larvas”, afirma. Também são frequentes caixas d’água com tampas improvisadas ou danificadas, pneus, baldes e outros recipientes com água parada. Em áreas mais vulneráveis, aparecem tonéis, reservatórios antigos destampados, grande volume de objetos descartados e focos esquecidos, como pratos de plantas, ralos pouco usados, bandejas de geladeira e ar-condicionado, vasilhas de água para animais e objetos em quintais.
Quando esses riscos são identificados, a atuação é educativa e preventiva. “A orientação é adaptada à realidade de cada território, com foco no ciclo do mosquito, nos riscos dos criadouros e nas estratégias adequadas para eliminação dos focos”, explica Saito. Com o aumento de casos em algumas regiões, o CEJAM Ambiental intensifica visitas domiciliares, ações em escolas e atividades comunitárias, atuando em conjunto com unidades de saúde, Núcleos de Vigilância e UVIS, e registrando os focos na plataforma municipal “Todos contra a dengue”.
“A maioria dos focos está dentro das residências, o que mostra que a prevenção está em nossas mãos. Cada recipiente eliminado e cada quintal limpo fazem diferença para reduzir novos casos”, conclui Saito.
Por Vitória Rosa Barros
