MCTI e CEMADEN lançam campanha nacional de prevenção de riscos no Recife com presença da ministra, Luciana Santos, e da diretora Regina Alvalá
Foto: Diego Galba/Ascom MCTI
MCTI e CEMADEN lançam campanha nacional de prevenção de riscos no Recife com presença da ministra, Luciana Santos, e da diretora Regina Alvalá
13/02/2026
Noticias Gerais
Recife sediou, nesta quinta-feira (12/2), o lançamento da 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco, iniciativa que mobiliza escolas, comunidades e organizações sociais de todo o país para fortalecer a cultura de prevenção de desastres e promover a justiça climática. O evento foi realizado no Instituto Leopoldo Nóbrega, na capital pernambucana, e teve a participação de educadores, mobilizadores e lideranças comunitárias.
Realizada pelo MCTI, por meio do Cemaden, e pelo Ministério das Cidades, através da Secretaria Nacional de Periferias (SNP), a campanha integra políticas públicas de educação, ciência e desenvolvimento urbano e incentiva o engajamento comunitário para o enfrentamento das mudanças do clima e a prevenção de desastres.
Durante o evento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que a iniciativa representa a aproximação da ciência com a vida cotidiana das pessoas, especialmente nos territórios mais vulneráveis. Segundo a ministra, a proposta da campanha é transformar escolas e comunidades em polos de prevenção, capazes de identificar riscos, agir coletivamente e proteger vidas. “Essa campanha mostra, na prática, que ciência, tecnologia e inovaçãonão são conceitos abstratos. Elas são ferramentas de proteção,cuidado e justiça social. Elas salvam vidas”, disse a ministra.
Um dos exemplos citados foi o caso de Jaboatão dos Guararapes, também em Pernambuco, onde estudantes que participaram de projeto do Cemaden Educação construíram pluviômetros caseiros, monitoraram a chuva e ajudaram a alertar moradores durante as fortes precipitações de 2022, contribuindo para evitar mortes na comunidade.
Para a diretora do Cemaden, Regina Alvalá, é exatamente esta articulação com a vida cotidiana das comunidades que traz sentido ao trabalho desenvolvido pelos especialistas. “Quando criamos o Cemaden Educação, o que nos moveu foi o anseio de fazer o conhecimento científico chegar às pessoas. Não é fácil falar sobre risco de desastres, mas é muito importante traduzir os conhecimentos gerados nas pesquisas para que a sociedade deles se municie para se proteger”, avaliou a diretora do Cemaden.
Como a arte e a cultura se conectam a esse propósito? Leopoldo Nóbrega, multiartista responsável pela escultura gigante do Galo que abre o Carnaval recifense, aprendeu em casa, com a mãe professora e artista plástica, que é possível conciliar o ensino, a arte e a sustentabilidade.
“Ciência, arte e inclusão social não caminham separados — ao contrário, se fortalecem quando se encontram. A própria escultura do Galo é resultado de um projeto inclusivo. Trabalhamos com mais de 200 participantes, entre eles moradores em situação de rua, e eles construíram uma parte do mosaico colorido trabalhando com lonas descartadas. É um trabalho integrado e muito bonito. A maior transformação está na mudança de comportamento, e a arte pode propor novas relações de pertencimento e afetividade”, afirmou o multiartista.
As comunidades periféricas são as mais expostas aos riscos decorrentes de eventos extremos. A coordenadora-geral da Coordenação de Articulação do Departamento de Mitigação e Prevenção de Riscos da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades, Samia Sulaiman, destaca que as obras são fundamentais, mas a educação para a prevenção de desastres é estratégica.
“Temos implementado inúmeras políticas públicas, mas sabemos que a educação nos faz chegar a cada comunidade e às suas realidades. Afinal, os especialistas não estão apenas das universidades, mas nas comunidades e territórios. Esperamos que essa iniciativa gere um carnaval de campanhas coloridas e que tragam visibilidade positiva às periferias. Há muita desigualdade e vulnerabilidade, mas há, também, muita potência. Se as pessoas vivem, é porque elas resistem, e é isso que queremos valorizar”, destacou a representante da Secretaria Nacional de Periferias.
Justiça Climática
Para a idealizadora e coordenadora do Programa Cemaden Educação, Rachel Trajber, ver o projeto consolidado e inserido nas comunidades é motivo de felicidade e emoção. Ela lembra que, de modo geral, aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticos são os mais impactados por seus efeitos – e, nesse contexto, é preciso desenvolver estratégias que amenizem essa distorção e protejam as vidas das populações mais suscetíveis.
“A gente traz da ciência umas notícias meio chatas, mas precisamos trabalhar juntos no enfrentamento às mudanças do clima. É um trabalho coletivo. Os desastres estão aumentando em frequência e intensidade, em locais onde não aconteciam antes. Tendo por base o conceito de justiça climática, propomos uma ‘campanha de campanhas’, para que cada território se aproprie dessas informações e as adapte aos conhecimentos locais, de modo a se tornar menos vulnerável”, assinalou a coordenadora do Cemaden Educação.