Baixo desemprego traz movimento a bares e restaurantes, mas provoca escassez de profissionais no setor
Foto: Freepik / Divulgação / O Candeeiro/Arquivo
Baixo desemprego traz movimento a bares e restaurantes, mas provoca escassez de profissionais no setor
13/02/2026
Noticias Gerais
O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica: 5,1%, segundo dados da Pnad Contínua. Ao longo do ano, de acordo com o Caged, foram geradas mais de 1 milhão de vagas formais, sendo 59.812 no setor de alimentação fora do lar. O resultado consolida um cenário de aquecimento do mercado de trabalho, com impacto direto sobre o consumo e a dinâmica nos bares e restaurantes.
O baixo nível de desemprego favorece o setor ao garantir maior circulação de renda e sustentar o fluxo de clientes, mesmo em um contexto marcado por custos elevados e forte concorrência entre empresas. Ao mesmo tempo, esse ambiente impõe desafios importantes: a disputa por profissionais se intensifica, sobretudo nas funções operacionais, exigindo dos empresários planejamento, criatividade e estratégias mais flexíveis de contratação.
“Quando o emprego cresce, o consumo acompanha, e bares e restaurantes sentem esse movimento diretamente no caixa. Mas esse mesmo cenário pressiona o outro lado da operação: encontrar e reter profissionais qualificados se torna mais difícil. Isso obriga o empresário a repensar a gestão de pessoas, investir em produtividade e adotar modelos de contratação mais flexíveis, compatíveis com a realidade do setor”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Dezembro sinaliza desaceleração e ajuste no ritmo de contratações
Apesar do desempenho positivo no acumulado de 2025, os dados de dezembro demonstram uma inflexão no ritmo do mercado de trabalho, apontando para uma possível desaceleração no curto prazo. No último mês do ano, o Brasil registrou saldo negativo de 618.164 vagas formais, enquanto o setor de alimentação fora do lar fechou 21.563 postos de trabalho.
Esse resultado não anula o cenário de aquecimento observado ao longo de 2025, mas pode indicar uma transição para um ambiente de maior seletividade nas contratações e de foco em eficiência operacional, produtividade e gestão de custos.
Uma pesquisa da Abrasel reforça esse contexto. De acordo com o levantamento, 21% dos empresários pretendem contratar no primeiro semestre de 2026. A maioria (67%) planeja manter o quadro atual de funcionários, enquanto 12% projetam redução. As funções com maior demanda continuam sendo auxiliares de cozinha, atendentes, garçons, cozinheiros, gerentes e entregadores, cargos essenciais para o funcionamento diário dos estabelecimentos.
“Em um contexto de consumo aquecido, mas de contratações mais cautelosas, o trabalho intermitente passa a ser uma solução cada vez mais relevante para o setor. Ele permite que bares e restaurantes mantenham o vínculo formal com o trabalhador e, ao mesmo tempo, ajustem suas equipes à sazonalidade e à demanda real do negócio, trazendo mais eficiência, previsibilidade de custos e sustentabilidade para a operação”, conclui Solmucci.