Foto: Éverton Carvalho
Salvador em alta no digital e nas ruas: cidade se consolida como experiência cultural para quem a visita
O Nordeste é uma região marcada por forte diversidade identitária, e a Bahia tem se destacado cada vez mais nesse cenário. Salvador, em especial, vem se consolidando como um destino desejado internacionalmente. Segundo levantamento realizado pela Sudene em 2025, a capital baiana ocupa o 6º lugar entre os municípios brasileiros mais visitados por turistas internacionais. No entanto, esse protagonismo não se explica apenas pelos números. Ele se sustenta em uma narrativa construída no cotidiano da cidade e amplificada no ambiente digital.
Criadores de conteúdo, influenciadores e moradores transformam vivências culturais, afetivas e simbólicas em experiências compartilhadas nas redes, despertando o interesse de visitantes que buscam mais do que paisagens. Quem chega a Salvador procura pertencimento, conexão e contato com uma ancestralidade viva, que atravessa o território, os corpos e as práticas culturais.
“No ambiente digital, há sinais evidentes de que Salvador não apenas recebe turistas, mas está em alta nas redes sociais. Influenciadores, criadores de conteúdo e usuários comuns impulsionam essa visibilidade ao compartilhar experiências, roteiros e imagens que alcançam altos níveis de engajamento. A cidade vive um momento em que o turismo deixa de ser apenas fluxo e passa a ser experiência cultural compartilhada. Salvador se apresenta como um território vivo, com identidade, memória e fé, elementos que hoje se transformam em conteúdo, desejo e conexão no ambiente digital”, analisa Dayane Oliveira, publicitária, estrategista cultural e sócia-cofundadora da Asminas Conteúdo Digital.
O momento atual não se define apenas pelo volume de visitantes, mas pela forma como a cidade vem sendo vivida e narrada. Um exemplo emblemático foi a passagem do artista pop internacional Shawn Mendes por Salvador, em uma temporada marcada por experiências autênticas, muitas delas mediadas por Ivete Sangalo, símbolo da cultura baiana contemporânea. Entre essas vivências esteve a visita a um terreiro de candomblé, não como espetáculo, mas como uma experiência conduzida pelo respeito, pela escuta e pelo aprendizado. Nesse contexto, Salvador deixa de ser consumida de forma superficial e passa a ser compreendida em camadas mais profundas de sua cultura e identidade.
“Não houve campanha publicitária, roteiro turístico forçado ou estratégia institucional visível. Houve troca cultural. Salvador segue sendo o que sempre foi e é justamente isso que desperta interesse global. A cidade não se adapta para agradar ao olhar externo; ela se mantém fiel à sua identidade, e o mundo se aproxima com curiosidade, respeito e encantamento. Esse tipo de exposição tem um valor simbólico muito forte. Nesse processo, influenciadores e criadores de conteúdo locais exercem um papel central. São eles que traduzem a capital a partir de dentro, mostrando restaurantes, praias, museus, festas populares, moda, música e o cotidiano sem filtros turísticos. Eles não vendem a cidade, eles vivem a cidade e é essa vivência que gera engajamento, confiança e desejo de visita”, explica Letícia Sotero, estrategista em posicionamento digital e sócia-cofundadora da Asminas Conteúdo Digital.
Durante o verão, especialmente no pré-carnaval, no carnaval e nos festejos populares, Salvador se torna um dos principais polos de atenção no ambiente digital. O que acontece nas ruas reverbera nas redes, e não o contrário. A cultura popular passa a pautar o algoritmo, enquanto a vivência coletiva se transforma em narrativa global, projetando a cidade para além de seus limites geográficos e reafirmando sua centralidade no imaginário cultural contemporâneo.
“Quando falamos do mercado de mídia, publicidade e influência, marcas que compreendem Salvador como linguagem cultural, e não apenas como cenário, conseguem construir conexões reais. Já aquelas que insistem em abordagens genéricas ou superficiais perdem a oportunidade de dialogar com um público atento, exigente e profundamente conectado à sua identidade. Investir em curadoria local, escuta ativa e respeito cultural deixou de ser diferencial, é condição básica para quem busca relevância”, finaliza Dayane Oliveira.
Nesse contexto de valorização cultural e engajamento digital, destacam-se perfis como o de Ramile Alves (@cantos.eencantos), voltado à cultura; Rafael Pereira (@opereirafael), que aborda lifestyle e o cotidiano na capital baiana; Diogo Teixeira (@teixeira_di); Amanda Mota (@amoramota), que fomenta a cultura e a gastronomia; Fernanda Evan (@pretaevan), com conteúdo de lifestyle; Onde Bagaçar (@ondebagacar), focado em gastronomia; Visit Salvador da Bahia (@visitsalvadordabahia), perfil cultural sobre a cidade; e Quarta Pink (@ quartapink.ba), página dedicada à cultura soteropolitana e à cobertura de eventos.
