Foto: Divulgação / Prefeitura de Cubatão
Fechamento de fábricas: antes de encontro com Alckmin, setor químico e prefeitura de Cubatão tratam de soluções contra crise
O avanço do fechamento de plantas industriais e a perda acelerada de competitividade da indústria química no Brasil motivaram uma reunião entre a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), entidades sindicais e a Prefeitura de Cubatão para alinhar agenda conjunta que será levada ao governo federal em encontro marcado para o próximo dia 3 com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
A reunião, realizada nesta quarta-feira (28), teve como foco os impactos econômicos, sociais e fiscais da crise enfrentada pelo setor químico, com destaque para o fechamento de fábricas no polo industrial de Cubatão e o risco de aprofundamento do processo de desindustrialização no estado de São Paulo. O encontro também serviu como preparação técnica e política para a agenda em Brasília, articulada pelo prefeito César Nascimento em conjunto com lideranças sindicais e representantes da indústria.
Segundo a prefeitura, o encerramento de operações industriais no município representa uma das maiores perdas em arrecadação tributária, comprometendo diretamente a capacidade da cidade de manter serviços públicos essenciais. “O impacto não é abstrato. Quando uma fábrica fecha, a arrecadação cai, os serviços públicos ficam ameaçados e o custo social recai sobre a cidade”, afirmou o prefeito de Cubatão, César Nascimento. “Estamos falando de hospitais, segurança pública e políticas sociais que dependem diretamente dessa base industrial.”
Durante a reunião, o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, destacou que o problema central enfrentado pela indústria química brasileira está na perda estrutural de competitividade, agravada pelo alto custo de insumos estratégicos, especialmente o gás natural.
“Sem uma correção estrutural nos custos, especialmente do gás natural e das matérias-primas, a indústria química não consegue se manter competitiva. Estamos vendo decisões de fechamento e redução de produção acontecendo agora, não em um horizonte distante”, afirmou André Passos. Segundo ele, a situação se se agrava após os vetos ao capítulo do Regime Especial da Indústria Química (REIQ) na Lei nº 15.294/2025, que instituiu o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq).
Embora o Presiq seja considerado uma política estruturante relevante para o setor, seus efeitos práticos só estão previstos para 2027. “Existe um vácuo em 2026 que precisa ser tratado com urgência. Sem uma solução transitória para o REIQ, há o risco concreto de que empresas simplesmente não consigam atravessar o próximo ano”, disse o presidente da Abiquim.
Perda de postos de trabalho
A preocupação com os empregos também foi enfatizada pelas entidades sindicais. Herbert Passos, presidente do Sindicato dos Químicos e dirigente da Força Sindical, alertou para a redução de turnos, paralisações e demissões que já estão em curso. “Estamos vendo unidades reduzirem turnos, mesmo após investimentos recentes em modernização. Isso é um sinal claro de que o problema é estrutural e urgente”, afirmou.
Segundo Herbert, a crise do setor químico ameaça empregos altamente qualificados e cadeias produtivas inteiras. “Quando esses postos são perdidos, dificilmente são recuperados. A ausência de uma solução rápida para o REIQ acelera decisões irreversíveis e aprofunda o processo de desindustrialização”, disse.
Carta alerta para crise
A carta enviada nesta semana ao vice-presidente Geraldo Alckmin por entidades sindicais e pela Abiquim reforça esse diagnóstico. O documento alerta que a indefinição sobre o REIQ em 2026 já produz efeitos severos, com fechamento de plantas, redução de turnos e extinção de postos de trabalho, especialmente em polos industriais de São Paulo. O texto ressalta que o setor químico enfrenta um cenário internacional adverso, marcado por excesso de capacidade produtiva, subsídios externos e concorrência desleal, o que exige instrumentos de política industrial para preservar a produção nacional.
No encontro em Cubatão, houve consenso entre os participantes de que a agenda a ser apresentada ao governo federal deve ter caráter federativo, evidenciando que os impactos da crise não se limitam às empresas, mas atingem diretamente municípios industriais, trabalhadores e a arrecadação pública. A expectativa é que a reunião do dia 3 resulte em encaminhamentos concretos, com definição de prazos e medidas para enfrentar o cenário de curto prazo.
Por Jonathan Jayme
