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Geração de negócios e fortalecimento da cultura negra: conheça a importância dos blocos afro para além dos circuitos
Especialmente em locais como Salvador, com ancestralidade e cultura negra que tornam a cidade mais viva, os blocos afro tem uma relevância que ultrapassa a folia dos circuitos.
Ao longo do ano esses blocos desempenham um papel crucial na promoção
do empreendedorismo social, geração de negócios e fortalecimento da
identidade cultural. Assim, além do impacto na valorização da identidade, muitos desses blocos investem na formação profissional das comunidades,
ajudando no desenvolvimento econômico e social de afroempreendedores.
Outro ponto importante é que, com a forte valorização da cultura
afro-brasileira, o Carnaval - uma das maiores festas de rua do mundo, se torna uma grande oportunidade para empreendimentos voltados para a cultura negra fortalecerem seus negócios. Nesse contexto, um exemplo de afroempreendimento que tem preparado ações no período é a loja Afrocentrados Conceito,
uma iniciativa colaborativa que conta com mais de 100 empreendedores
negros e busca fortalecer a comunidade negra soteropolitana. “Em
Salvador, que vemos uma grande força dos blocos afro, há uma
considerável valorização das raízes ancestrais e elementos culturais
afro-brasileiros. É algo que desperta o interesse não só da população
que vive essa cultura todos os dias, mas de turistas que vem à capital
baiana no período. Então, é uma ótima oportunidade para pensarmos
estratégias de impulsionamento do afroempreendedorismo, como o Ayô
Circuito Verão AfroColab, um projeto que aproxima, valoriza e
possibilita que mulheres sobrevivam através do seu dom, fortalecendo o
afroempreendedorismo feminino na cidade”, explica Cynthia Paixão, empreendedora e fundadora da Afrocentrados. Para 2025, espera-se um Carnaval com grande movimento econômico em Salvador, com expressiva chegada de turistas. Segundo o Observatório do Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), a estimativa é que a capital baiana movimente cerca de R$ 1,8 bilhão durante a folia. Parte
desse movimento econômico vem da visibilidade dos blocos afro, que
atraem turistas, movimentando a economia criativa e, principalmente,
negócios afrocentrados. Além disso, a comercialização de produtos
ligados à estética negra, moda afro-brasileira e arte se expande no
período com a atuação dessas organizações. Considerando esses fatores, os blocos afro contam com o apoio financeiro do poder público para intensificarem suas atuações. Neste ano, inclusive, o Programa Ouro Negro vai disponibilizar R$ 15 milhões para 112 projetos de 98 entidades contempladas. Mas além dos benefícios econômicos, os blocos afro também guardam grande importância cultural, conforme reforça Cynthia Paixão, já coroada Rainha do Bloco Malê Debalê e Deusa do Ébano do Ilê Aiyê. “Os
blocos afro desempenham um papel essencial na preservação e valorização
da cultura negra e da história afro-brasileira. Eles promovem a
autoestima das comunidades negras ao exaltar suas tradições e heranças
culturais, promovendo imagens e mensagens de força para a cena
afro-brasileira. Além disso, são espaços de educação, com projetos que
discutem ancestralidade, racismo, empoderamento e direitos humanos,
temas que precisam estar sempre em discussão na sociedade”, comenta. Segundo Cynthia, ser rainha ou deusa de um bloco afro é muito mais do que um título: é ocupar um espaço de representatividade, acolhimento e transformação. “Para
mim, essa posição significa abrir portas para outras mulheres,
dando-lhes visibilidade e oportunidade de crescimento. Ser referência
nos palcos é dar voz e espaço para quem também merece brilhar. Então, a
presença feminina nos blocos afros não apenas exalta a cultura negra,
mas transforma vidas, criando uma rede de apoio e fortalecimento que
ressoa muito além dos palcos”, completa. Seja
por sua contribuição econômica para as comunidades ou pela relevância
cultural, os blocos afro são parte indispensável do Carnaval,
desempenhando um papel crucial na promoção do empreendedorismo social,
geração de negócios e fortalecimento da identidade cultural. Por Glaucia Pinheiro
