Foto: Divulgação UNIFACS / Magnific
Câncer de mama: idade, densidade das mamas e novas tecnologias influenciam a detecção da doença
O Outubro Rosa reforça a importância da detecção precoce do câncer de mama e chama a atenção para um aspecto fundamental: os exames de imagem não são indicados da mesma forma para todas as mulheres. A idade, a densidade do tecido mamário, o histórico familiar e a presença de sintomas são fatores que influenciam a definição da estratégia de rastreamento e investigação da doença.
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama em mulheres sem sintomas. No Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento bienal para mulheres de 50 a 74 anos. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização anual a partir dos 40 anos, considerando a avaliação individualizada e as orientações da entidade.
Segundo a mastologista Marina Cambuy, docente do curso de Medicina da UniFG - integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a escolha do exame deve levar em conta as particularidades de cada paciente.
“Não existe uma estratégia única que seja adequada para todas as mulheres. A idade é um dos fatores que consideramos, mas também precisamos avaliar o histórico familiar, os fatores de risco, a densidade mamária e a presença de sintomas. O mais importante é que cada mulher tenha um acompanhamento individualizado, com exames indicados de acordo com sua necessidade”, destaca.
Nas mulheres mais jovens, a investigação depende especialmente da presença de alterações clínicas e dos fatores de risco. A ultrassonografia pode ser utilizada como exame inicial para avaliar nódulos palpáveis e diferenciar cistos de lesões sólidas. A mamografia também pode ser indicada conforme a avaliação médica. Para mulheres com risco elevado, como aquelas com determinadas mutações genéticas ou histórico familiar significativo, o acompanhamento pode incluir a ressonância magnética.
Mamas densas podem dificultar a identificação de lesões
A densidade mamária é um aspecto importante na interpretação dos exames. Além de estarem associadas a um risco aumentado de câncer de mama, mamas densas apresentam maior quantidade de tecido fibroglandular, que aparece branco na mamografia, assim como muitas alterações suspeitas. Essa sobreposição pode dificultar a identificação de pequenos tumores.
“Nas mulheres com mamas densas, a leitura da mamografia pode ser mais desafiadora porque algumas lesões ficam encobertas pelo próprio tecido mamário. Por isso, é importante que essa característica seja considerada na avaliação médica. Dependendo do perfil de risco e dos achados do exame, podemos recomendar métodos complementares para ampliar a investigação”, explica a especialista.
Nesses casos, a ultrassonografia e a ressonância magnética também podem ser indicadas. A necessidade de exames adicionais deve ser avaliada individualmente, considerando os benefícios, as limitações e a possibilidade de resultados falso-positivos.
Mamografia 3D amplia a visualização das estruturas mamárias
Entre os avanços tecnológicos está a tomossíntese mamária, conhecida como mamografia 3D. O método reconstrói o tecido mamário em cortes finos de imagem. Com isso, pode facilitar a identificação de determinadas lesões que seriam mais difíceis de visualizar na mamografia convencional. “A tomossíntese representa um avanço importante porque permite analisar a mama em diferentes planos, reduzindo a interferência da sobreposição dos tecidos. Isso pode melhorar a identificação de algumas alterações e contribuir para uma avaliação mais precisa", detalha a mastologista.
A tecnologia pode trazer ganhos na avaliação de mamas densas, embora não elimine todas as limitações dos procedimentos tradicionais nem substitua automaticamente a ultrassonografia ou a ressonância magnética. "Ela deve ser entendida como mais uma ferramenta no cuidado, e não como uma solução isolada. A indicação precisa considerar as características e as necessidades de cada paciente”, complementa.
Além da realização dos exames recomendados, é fundamental procurar atendimento diante de alterações como nódulo persistente, retração da pele ou do mamilo, mudanças no formato da mama ou saída espontânea de secreção sanguinolenta pelo mamilo. Esses sinais precisam ser investigados independentemente da idade da mulher ou da data do último exame.
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Por Andréa Castro
