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2 de julho: Dia Nacional do Hospital: os desafios de oferecer qualidade, segurança e sustentabilidade
Dia 2 de julho é celebrado o Dia do Hospital. Muitos desconhecem a história da saúde do País e, por isso, vamos voltar um pouco no túnel do tempo. O primeiro hospital brasileiro foi a Santa Casa de Misericórdia de Olinda, fundada em 1540, na Capitania de Pernambuco. Foi criada nos modelos das Santas Casas portuguesas para atender doentes, viajantes e pessoas sem recursos. Funcionou por mais de três séculos e, em 1860, foi incorporada pela Santa Casa do Recife. Porém a instituição hospitalar mais antiga em funcionamento contínuo no Brasil é a Santa Casa de Misericórdia de Santos, fundada em 1543 por Brás Cubas.
Esta data nos convida à reflexão sobre um dos maiores desafios do setor atualmente: como oferecer atendimento cada vez mais seguro, eficiente e sustentável em um cenário marcado pelo envelhecimento da população, aumento das doenças crônicas, incorporação de novas tecnologias, escassez de profissionais especializados e crescente pressão sobre os custos.
E hoje como está a estrutura e o atendimento hospitalar? Nas últimas décadas, o papel dos hospitais mudou significativamente. Além da assistência direta ao paciente, essas instituições passaram a ser responsáveis por administrar tecnologias de alto custo, reduzir desperdícios, prevenir eventos adversos e responder a exigências cada vez maiores de qualidade e transparência. Em um ambiente de recursos limitados e demanda crescente, melhorar processos deixou de ser apenas uma questão administrativa e passou a ser uma estratégia essencial para garantir a segurança dos pacientes e a sustentabilidade financeira das organizações.
Apesar desse cenário, a cultura da qualidade ainda está longe de alcançar todo o sistema de saúde brasileiro. Segundo dados divulgados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), o Brasil possui aproximadamente 380 mil serviços de saúde no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
A ONA responde por aproximadamente 73% das certificações realizadas no país, reunindo cerca de 1.800 instituições acreditadas, entre elas aproximadamente 477 hospitais. Em 2025, a organização registrou crescimento de 16% no número de certificações. Bahia conta com 69 estabelecimentos de saúde acreditados pela ONA, entre eles os Hospital Da Mulher e o Estadual da Criança.
"Apesar da evolução observada nos últimos anos, ainda existe um enorme espaço para ampliar a cultura da qualidade e da segurança no país, principalmente entre instituições públicas e nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste", afirma Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da ONA.
Desafio: “Envelhecimento da população, aumento das doenças crônicas e pressão sobre os custos transformam a gestão hospitalar; acreditação ainda alcança menos de 1% dos serviços de saúde brasileiros”
Segurança do paciente também significa sustentabilidade - Quando se fala em qualidade hospitalar, o impacto vai muito além da experiência do paciente. Eventos adversos, como falhas na administração de medicamentos, infecções relacionadas à assistência, quedas de pacientes, retrabalho, desperdício de materiais e falhas em registros clínicos aumentam o tempo de internação, elevam custos e reduzem a capacidade de atendimento das instituições.
Segundo a ONA, hospitais que adotam modelos estruturados de gestão da qualidade costumam observar melhorias em processos considerados críticos, como gestão de medicamentos, prevenção de infecções, centro cirúrgico, gestão de equipamentos, logística hospitalar, prontuários e fluxo do paciente.
"Os dados demonstram que a acreditação pode produzir efeitos tanto na segurança do paciente quanto na eficiência da operação. Ao reduzir falhas, desperdícios e retrabalho, o hospital consegue utilizar melhor seus recursos e ampliar sua capacidade de atendimento", explica Lolato.
A organização ressalta que os resultados apresentados foram informados pelas próprias instituições participantes e não representam uma média obrigatória para todos os hospitais, já que os ganhos dependem do grau de maturidade de cada organização.
Resultados aparecem em diferentes etapas - Os primeiros efeitos da implantação de um sistema estruturado de gestão costumam surgir entre três e seis meses, período em que processos são padronizados e os fluxos passam a ser monitorados. Entre seis e doze meses, indicadores assistenciais e operacionais tendem a apresentar maior consistência. Já os ganhos financeiros se consolidam progressivamente, à medida que a instituição reduz desperdícios, eventos adversos e retrabalho.
Segundo Lolato, mais importante do que estabelecer um prazo é definir indicadores desde o início do projeto. "Cada hospital possui uma realidade diferente. O fundamental é medir a situação antes da implantação, acompanhar os indicadores durante o processo e demonstrar, de forma objetiva, os resultados alcançados."
Qualidade deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade - Para a ONA, investir em qualidade deixou de representar apenas uma preparação para auditorias ou certificações externas. Em um ambiente de recursos limitados e crescente demanda assistencial, a melhoria contínua dos processos tornou-se uma ferramenta de gestão capaz de fortalecer a segurança do paciente, otimizar custos e aumentar a eficiência operacional.
Enquanto hospitais públicos podem ampliar sua capacidade de atendimento utilizando melhor os recursos disponíveis, instituições privadas e filantrópicas também ganham competitividade, fortalecem sua reputação e aprimoram o relacionamento com operadoras de saúde e demais parceiros.
No Dia do Hospital, que a principal reflexão seja justamente essa: diante de um sistema de saúde cada vez mais complexo, investir em qualidade deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade para garantir a sustentabilidade das instituições e a segurança de milhões de brasileiros.
Por Lucia Nunes
