Foto: Filipe Karam/Prefeitura de Porto Alegre
“A conectividade deixou de ser apenas um serviço e se tornou uma necessidade humanitária”, relembra CEO da BrasRede sobre as enchentes no RS
As enchentes no Rio Grande do Sul mostraram que a conectividade é tão importante quanto energia, água e mobilidade. A avaliação é de Raquel Maria Camera, CEO da BrasRede, em entrevista ao Ministério das Comunicações. A Pasta esteve presente desde o início da tragédia climática que devastou o estado, garantindo não apenas conectividade, mas também apoio humanitário e atendimento direto à população.
Raquel destacou que esse foi um dos momentos mais desafiadores da história do setor. “Tivemos regiões completamente isoladas, rompimento de fibras ópticas, postes destruídos, alagamentos em datacenters e longos períodos sem energia elétrica”, relembrou.
Além da ajuda humanitária, a prioridade do Ministério das Comunicações foi recuperar a infraestrutura de telecomunicações para apoiar as ações de resgate e manter em funcionamento os serviços essenciais. “Buscamos garantir conectividade às equipes de socorro e seguimos trabalhando para oferecer as melhores condições de funcionamento aos serviços de telefonia e internet”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Hospitais, forças de segurança, prefeituras, abrigos e a própria população dependiam da internet para comunicação, resgate, acesso à informação e coordenação das ações emergenciais. “A conectividade deixou de ser apenas um serviço e passou a ser uma necessidade humanitária”, reforçou Raquel.
Recursos do Fust: fôlego financeiro para as empresas do setor
Entre as diversas ações emergenciais, o Ministério das Comunicações viabilizou crédito emergencial por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Para Raquel Camera, atual presidente da InternetSul, a iniciativa foi fundamental para dar fôlego financeiro ao setor naquele momento extremamente delicado.
“Muitas empresas enfrentaram destruição parcial de infraestrutura, aumento abrupto dos custos operacionais e necessidade imediata de reposição de equipamentos”, relembrou.
Por meio de recursos do Fust, o Ministério das Comunicações e o BNDES destinaram R$ 47 milhões à Osirnet, operadora gaúcha com sede em Pelotas. Os recursos foram utilizados na recuperação da infraestrutura de telecomunicações danificada e na ampliação da rede de fibra óptica no estado. À época, 24 municípios onde a empresa atuava decretaram estado de calamidade pública, impactando diretamente mais de 64 mil clientes.
O diretor de Mercado da Osirnet, Milton Santos, ressaltou que os recursos do Fust foram essenciais para a recuperação da infraestrutura afetada e para o restabelecimento dos serviços.
“Esse apoio possibilitou a realização de investimentos emergenciais, contribuindo diretamente para a retomada das operações e para a manutenção da conectividade nas áreas impactadas”, destacou.
Além do apoio financeiro, Milton afirmou que a articulação do Ministério das Comunicações com os diversos órgãos envolvidos e com o setor de telecomunicações foi fundamental.
“A proximidade com os provedores permitiu uma melhor compreensão das necessidades emergenciais e contribuiu para uma resposta mais rápida e eficiente durante o período de crise”, frisou.
Milton também relembrou que as ações permitiram levar internet gratuita a hospitais, delegacias, presídios, órgãos públicos e, principalmente, aos abrigos criados durante o período de calamidade.
Por meio do programa Wi-Fi Brasil, o Ministério das Comunicações disponibilizou 390 equipamentos fixos, dos quais 148 foram ativados e distribuídos em 65 municípios. A infraestrutura reforçou a conectividade em pontos estratégicos, garantindo a continuidade de serviços essenciais e apoiando a recuperação de comunidades quilombolas e indígenas, além de unidades do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal no Rio Grande do Sul.
“O espírito foi de cooperação. Compartilhamos infraestrutura, equipamentos, equipes e rotas para garantir que a população permanecesse conectada. Isso demonstrou a maturidade e a relevância social do setor”, ressaltou Raquel.
Empresas mais preparadas
Após a tragédia climática, as empresas fortaleceram seus planos de contingência e investiram em infraestrutura elétrica e em ações de monitoramento preventivo das redes.
“Hoje existe uma preocupação muito maior com a resiliência operacional e com a preparação para eventos extremos, que infelizmente tendem a se tornar mais frequentes”, ponderou a presidente da InternetSul.
Embora ainda existam desafios, Raquel Camera e Milton Santos acreditam que o setor de telecomunicações está mais preparado para responder a situações de emergência e minimizar os impactos sobre a conectividade, com protocolos de resposta mais estruturados e eficientes.
Fonte: Ascom MCom
