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Cardiomiopatia hipertrófica: entenda doença do coração que pode ser agravada por anabolizantes
Casos de morte súbita entre jovens atletas e entusiastas do mundo fitness têm acendido o alerta para uma condição cardíaca muitas vezes silenciosa: a cardiomiopatia hipertrófica. Embora tenha um forte componente genético, a doença ganha contornos ainda mais perigosos diante de uma tendência crescente em consultórios e academias: o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes para fins estéticos ou de performance.
De acordo
com o Dr. Ricardo Ferreira da Silva, cardiologista do Centro
Cardiológico, a cardiomiopatia hipertrófica caracteriza-se pelo
espessamento anormal do miocárdio (o músculo do coração). “Essa
alteração estrutural endurece as paredes do
órgão, o que dificulta o relaxamento do coração e o bombeamento adequado
de sangue para o resto do corpo”, explica. O médico aponta que, por ser
frequentemente assintomática em seus estágios iniciais, a condição pode
passar despercebida por
anos, manifestando-se pela primeira vez já em um evento grave.
O grande perigo, segundo o especialista, surge quando substâncias hormonais entram nessa equação. Os esteróides anabolizantes estimulam o crescimento celular não apenas nos músculos esqueléticos, mas também no tecido cardíaco. “Para quem já possui uma predisposição genética à hipertrofia do miocárdio, o uso dessas substâncias funciona como um acelerador da doença. O coração, que já tinha tendência a ser espesso, cresce de forma desordenada, o que eleva drasticamente o risco de arritmias malignas e paradas cardíaca”, adverte o Dr. Ricardo.
Além do
crescimento estrutural do órgão, o uso de hormônios sem indicação médica
altera outros fatores vitais. O especialista pondera que os
anabolizantes frequentemente elevam a pressão arterial e aumentam a
viscosidade sanguínea, tornando o
sangue mais "grosso" e propenso à formação de coágulos. Essa sobrecarga
contínua cria o cenário perfeito para a morte súbita, especialmente
durante treinos de alta intensidade, momento em que a demanda de
oxigênio pelo miocárdio atinge o
limite.
Para evitar desfechos trágicos, a recomendação do médico é a realização de uma avaliação cardiológica minuciosa antes de iniciar qualquer rotina intensa de exercícios. “Exames simples, como o ecocardiograma, conseguem flagrar essas alterações estruturais a tempo de traçar uma linha de cuidado segura. A busca pela performance nunca deve atropelar os limites do próprio corpo”, conclui.
Dr. Ricardo Ferreira Silva
Dr. Ricardo Ferreira Silva é graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018.
Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.
Por Thierre Silva
