Painel debate desafios para permanência de jovens nas escolas / Foto: Thaty Aguiar.
Impactos das tecnologias na educação é destaque na programação da Fundação Roberto Marinho no 1º dia de Festival LED
O impacto com o tempo de tela gasto por crianças e adolescentes e os efeitos nocivos disso para o desenvolvimento social e psicológico pautaram a programação da Fundação Roberto Marinho no primeiro dia do Festival LED, nesta sexta-feira (15). Durante todo o dia, os convidados que passaram pelo Palco Dialoga refletiram os efeitos e as possibilidades de ação das escolas, das famílias e do poder público diante desse problema.
“Falamos ao longo de todo o dia sobre um dos grandes dilemas do nosso tempo: as telas. A tecnologia precisa estar presente nas propostas educacionais, porque vivemos em uma sociedade digital, mas o desafio é entender de que forma ela será incorporada — como ameaça ou como ferramenta de aprendizagem. Ao longo do encontro, tivemos debates, convidados e muitas trocas de experiências e ideias. Foi um espaço não apenas de aprendizado, mas também de compartilhamento das vivências que cada um traz da prática educacional. É um tema urgente e central para a educação hoje”, comentou o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, João Alegria.
Iniciativa da Globo e da Fundação Roberto Marinho, o Festival LED chega a sua quinta edição com apoio da Editora Globo, patrocínio da Fundação Bradesco e parceria estratégica do SEBRAE. O Movimento LED Globo - Luz na Educação mapeia, ilumina e reconhece práticas que estão transformando vidas através da educação.
No período da tarde, a mesa “Juventudes em Movimento — Engajamento, Permanência e Sentido da Escola para os Projetos de Vida”, mediada por Wisley Pereira do SESI Nacional, propôs um debate sobre a necessidade de conectar as escolas ao contexto social, cultural e tecnológico dos estudantes como estratégia central para a permanência dos estudantes na escola e para o aprendizado adequado.
“Por muito tempo a gente pediu mais tecnologia nas nossas escolas, mas hoje o que eu vejo é que nossos estudantes têm a tecnologia, mas não o aprendizado sobre como usar isso de uma forma crítica. Percebo que se perdeu muito o vínculo e a interação com o professor e até com a comunidade. Isso nos leva muito a refletir sobre que tipo de tecnologia nós queremos para as nossas escolas”, conta Dominga Moreira, educadora da Comunidade Quilombola Kalunga e Secretária de Turismo e Cultura de Cavalcante, em Goiás.
A secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Zara Figueiredo, ressaltou a importância de as instituições de ensino apresentarem referências que façam sentido para os jovens. “Uma escola que seja construída com e para essa juventude vai trazer satisfação de estar e permanecer”. A secretaria destacou algumas iniciativas e políticas públicas que têm sido implementadas para garantir isso, entre elas a política nacional de equidade, educação para as relações étnico-raciais e educação escolar quilombola (PNEERQ).
“A gente não está deixando alguns, estamos deixando milhões de pessoas para trás”, afirmou Rosalina Soares, superintendente de conhecimento da Fundação Roberto Marinho. Ela ressalta que fatores como renda e raça são determinantes para a regularidade da trajetória escolar. Além de dificuldades estruturais, há também desafios simbólicos que minam a confiança e o bem-estar dos estudantes no ambiente escolar. “Não precisamos só lutar pela permanência, precisamos lutar também pela aprendizagem”.
Ainda tem mais Festival LED
Ainda é possível participar do Festival LED: as inscrições no evento podem ser feitas gratuitamente aqui. Este ano, a Fundação Roberto Marinho assina uma programação dentro do Festival que reúne temas centrais da educação contemporânea. A programação do Palco LED Inspira desse segundo dia de evento, neste sábado (16), tem transmissão ao vivo pelo Canal Futura.
A programação do Palco Dialoga deste sábado destaca o papel da arte, da cultura e da convivência na formação integral dos estudantes, e revela experiências, políticas públicas e práticas pedagógicas que reconhecem a escola como espaço de criação, pertencimento e transformação social. O painel “Entre Diretrizes e Criações: políticas públicas para o ensino de artes” debate avanços e desafios na construção de políticas educacionais mais democráticas. Também integram a agenda conversas sobre a “Arte como Espaço de Encontro e Cuidado”, com foco no potencial transformador dos processos criativos, e “Ensinar a perguntar: curiosidade, arte e criatividade como método de aprendizagem”, que propõe a valorização da pergunta como ferramenta pedagógica.
Ao reunir diferentes perspectivas e experiências, a programação da Fundação Roberto Marinho no Festival LED reafirma o papel da instituição como um dos principais espaços de debate para a melhoria das práticas e iniciativas na educação do país.
Canal Futura transmite programação do Festival LED
Para quem não puder acompanhar o evento presencialmente, o Canal Futura transmite ao vivo os encontros e debates do palco LED Inspira, pela TV e pelo Globoplay, gratuitamente.
Quem acompanhar o Festival LED pelo Canal Futura poderá assistir à programação do palco LED Inspira, que neste ano reúne personalidades de diferentes áreas do conhecimento, da cultura e da comunicação.
É possível assistir ao Futura por meio das principais operadoras de TV por assinatura no Brasil, além rede de TVs universitárias parceiras com sinal de TV aberta e parabólicas digitais.
Confira a programação da Fundação Roberto Marinho no LED
Sábado | 16 de maio – Palco LED Dialoga
10h30 às 11h - Vídeo Talk: “Arte como Espaço de Encontro e Cuidado”
- Marián Lopez Fernández-Caó, professora de Educação Artística da Universidade Complutense de Madrid
- Paulo Pires do Vale (Portugal), Celso Melo Filho, músico, educador e escritor, e Olga Olaya, Líder do componente de Planos, Políticas e Programas de Educação e Formação Artística e Cultural, do Ministério das Culturas, das Artes e dos Saberes da Colômbia. Mediação de João Alegria, secretário-geral da Fundação Roberto Marinho
11h às 12h15 - Mesa “Entre Diretrizes e Criações: políticas públicas para o ensino de artes”
14h às 15h15 - Mesa “Ensinar a perguntar: curiosidade, arte e criatividade como método de aprendizagem”
- Carolina Sanches, autora, curadora e consultora em leitura e edutainmen, Evelyn Bastos, rainha da bateria da Mangueira e presidenta da Mangueira do Amanhã, e Diana Kolker, coordenadora de Educação e Arte no Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea. Mediação de Matheus Corassa, professor da rede pública de educação do Espírito Santo e subgerente de Educação Profissional da Secretaria de Estado da Educação
16h45 às 18h - Mesa “A escola como lugar de encontro: práticas que reinventam aprendizagem, convivência e criação”
- Samara Garcia, diretora do Instituto Cultural Iracema, Adriana Fresquet, professora da UFRJ, Leonardo Leoni, professor da SME/Rio. Mediação de Alzira Silva, supervisora de inclusão produtiva da Fundação Roberto Marinho
Sábado | 16 de maio – Espaço LED Cria (oficinas)
Sala 1: 11h30 às 13h30 - “Desponta - Como engajar as juventudes e fortalecer o sentimento de pertencimento?”
- Alzira Silva, supervisora de Inclusão Produtiva da Fundação Roberto Marinho, Adriana Trindade, líder de projetos educacionais da Fundação Roberto Marinho, e Gisele Andrade, especialista em metodologias de aprendizagem
Sala 1: 14h30 às 16h30 - “Conectados com responsa: educação digital para crescer com segurança”
- Guilherme Alves, gerente de projetos da Safernet Brasil, Priscila Pereira, líder de Projetos de inclusão educacional da Fundação Roberto Marinho, e Marcia Frizzo, especialista em Segurança da Informação na Globo
Sala 1: 17h às 19h - “A Cor da Cultura: caminhos para uma pedagogia antirracista e decolonial”
- Luana Dias, comunicadora e educadora, e Viviane Lopes, professora e agente regional da PNEERQ
Serviço - Festival LED
- Data: 15 e 16 de maio
- Horário: 9h às 19h
- Local: Píer Mauá - Avenida Rodrigues Alves 10.
- Entrada: Grátis
- Por Cecília Quintela
