Ao discursar em nome do ministro Sidônio Palmeira, o secretário de Imprensa da Secom, Laércio Portela, frisou que zelar pela segurança de jornalistas e comunicadores é um dever do Governo do Brasil e reforçou que a norma assinada é mais um passo no sentido de assegurar o pleno direito da sociedade à informação precisa e de qualidade. Foto: Clarice Castro/MDHC
Em evento no Palácio do Planalto, Governo do Brasil formaliza o protocolo para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores
No Dia do Jornalista, celebrado nesta
terça-feira, 7 de abril, o Brasil ganha um novo instrumento de proteção à
liberdade de imprensa com a formalização de um protocolo nacional
específico para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores. O
protocolo foi assinado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública,
Wellington César, em evento realizado no Palácio do Planalto que contou
com a presença da ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine
Mello, e do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom),
Sidônio Palmeira, entre outras autoridades.
Com o documento, o Brasil se alinha a
uma tendência internacional de criação de mecanismos específicos para
proteger jornalistas e enfrentar a violência contra a imprensa, um dos
principais desafios globais para a democracia. “A violência contra
jornalistas e comunicadores não será tratada como algo periférico à
democracia. O direito de informar e o direito de ser informado merecem
proteção efetiva. Este protocolo representa isso. Proteger quem informa
é, em última instância, proteger o coração da nossa democracia”,
ressaltou Wellington César.
A violência contra jornalistas e comunicadores não
será tratada como algo periférico à democracia. O direito de informar e o
direito de ser informado merecem proteção efetiva. Este protocolo
representa isso. Proteger quem informa é, em última instância, proteger o
coração da nossa democracia"
Wellington César
Ministro da Justiça e Segurança Pública
“O MDHC também tem contribuído com o
Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores, criado
ainda em 2023 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O
protocolo se insere nesse contexto e compreende uma firme resposta do
Estado brasileiro ao cumprimento de obrigações internacionais dos
direitos humanos relativas à violência contra jornalistas e
comunicadores”, destacou Janine Mello.
COMPROMISSO DO ESTADO
Ao discursar em nome do ministro Sidônio Palmeira, o secretário de
imprensa da Secom, Laércio Portela, frisou que zelar pela segurança de
jornalistas e comunicadores é um dever do Governo do Brasil e reforçou
que a norma assinada é mais um passo no sentido de assegurar o pleno
direito da sociedade à informação precisa e de qualidade.
“Nós, que fazemos comunicação com o
Governo, sabemos da importância de estarmos reunidos no Palácio
Planalto, para assinar o protocolo nacional de investigação de crimes
contra jornalistas e comunicadores. O protocolo é mais do que uma norma.
É um compromisso do Estado brasileiro e deste governo com a verdade,
com a democracia e com as pessoas que arriscam a própria segurança e a
própria vida para que a sociedade possa ser bem informada com
liberdade”, afirmou.
PREVENÇÃO, APURAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO
O protocolo estabelece proteção imediata às vítimas, organiza
procedimentos investigativos e reforça a cooperação entre instituições
para enfrentar a impunidade. Elaborado no âmbito do Observatório da
Violência contra Jornalistas e Comunicadores, a norma cria um padrão
nacional de atuação para o Sistema Único de Segurança Pública (Susp),
com foco na prevenção, apuração e responsabilização de crimes praticados
em razão da atividade jornalística.
QUATRO EIXOS
Secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula destacou que o
protocolo está embasado em quatro eixos: proteção imediata da vítima e
dos familiares, qualificação da investigação, produção e a preservação
das provas, e a escuta qualificada das vítimas. “O protocolo estabelece
parâmetros consistentes e técnicos para a prevenção e a investigação
policial de crimes cometidos contra jornalistas e comunicadores. Isso
significa reconhecer que esses casos exigem uma resposta estatal que não
considere apenas o fato, mas o contexto, a motivação da agressão e a
relação do crime com o exercício profissional da atividade jornalística
de comunicação. O protocolo também se dedica, com atenção especial, a
situações específicas, como desaparecimentos”, ressaltou.
FENAJ
O evento
reuniu representantes de diversas organizações ligadas ao exercício do
jornalismo, que se pronunciaram antes do início da cerimônia. Presidente
da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro elogiou
a oficialização do protocolo e a criação do Observatório da Violência
contra Jornalistas e Comunicadores pelo governo do presidente Lula, em
2023. “O protocolo é uma iniciativa muito aguardada pelas organizações
que compõem o campo do jornalismo, inclusive a Federação Nacional dos
Jornalistas. Desde 2013, quando a violência contra jornalistas explodiu
no Brasil, a gente reivindicava que o poder público brasileiro olhasse
para os crimes cometidos contra a nossa categoria”, lembrou Samira de
Castro.
“Ao longo da história os jornalistas
sempre foram alvo, pela natureza investigativa do nosso trabalho, de
denúncias, de escrutínio dos poderes públicos e privados. Com o
Observatório Nacional da Violência, e com esse protocolo, que teve muito
empenho da Secom e da Presidência da República, para que ele pudesse se
materializar, esse instrumento vai normatizar uma série de condutas
para que a gente tenha celeridade nas investigações e tenha a efetiva
punição dos perpetrantes de violência contra a nossa categoria”,
prosseguiu a presidente da Fenaj.
O protocolo foi construído em articulação com a sociedade civil, reunindo entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), Artigo 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), além de organizações como a Fenaj e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre outros e representantes do jornalismo profissional e da comunicação popular.
RANKING
A organização
Repórteres Sem Fronteiras, que defende o direito de todo ser humano de
ter acesso a informações livres e confiáveis, divulgou no final do ano
passado o ranking 2025 de Liberdade de Imprensa, segundo o qual o Brasil
aparece na 63ª posição entre os 180 países listados. A RSF mantém
acompanhamento em tempo real de ataques a jornalistas no mundo. Desde 1º
de janeiro deste ano seis jornalistas foram mortos e outros 479 foram
detidos.
Diretor Jurídico e Administrativo e
membro da Executiva do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do
Distrito Federal, Wanderlei Pozzembom lembrou que ataques a jornalistas
fazem parte da realidade da profissão no Brasil. “Essa é uma preocupação
enorme por parte dos representantes da categoria. O Brasil tem um
ranking vergonhoso de ataques e mortes de jornalistas no exercício da
profissão. É uma violência brutal contra a democracia e contra essa
categoria que tem uma responsabilidade enorme de trazer para a sociedade
a relevância dos fatos que dizem respeito à democracia, que tem que ser
mantida. E esse é o papel da comunicação, do jornalismo e dos
jornalistas.”
IMPACTO SOBRE A DEMOCRACIA
Ataques
a jornalistas não se configuram apenas em crimes individuais, mas
violações à liberdade de expressão e ao direito à informação, com
impacto direto sobre a democracia. Neste sentido, o protocolo orienta
desde o registro da ocorrência até a condução das investigações,
incluindo medidas emergenciais de proteção, coleta qualificada de provas
e preservação do sigilo da fonte.
CONCURSO BRUNO E DOM
Além do protocolo, o evento formalizou o lançamento do Concurso
Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do
Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais,
que reconhece e incentiva produções voltadas a essas áreas. Com
inscrições abertas até 21 de maio, a iniciativa contempla seis
categorias — incluindo reportagem, audiovisual e comunicação indígena — e
busca transformar a memória de Dom Phillips e Bruno Pereira em fomento
ao jornalismo de interesse público e à comunicação comunitária.
REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
Dom Phillips, jornalista britânico, e Bruno Pereira, indigenista
brasileiro, foram assassinados em junho de 2022, no Vale do Javari (AM),
enquanto realizavam trabalho de campo voltado à proteção da Amazônia e
dos povos indígenas. O caso teve repercussão internacional e se tornou
símbolo dos riscos enfrentados por jornalistas e defensores de direitos
humanos em regiões de conflito.
COMUNICAÇÃO PLURAL
O
protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas e
comunicadores e o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e
Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades
Tradicionais reforçam o compromisso do Estado brasileiro com a liberdade
de imprensa, a proteção de jornalistas e o fortalecimento de uma
comunicação plural — pilares essenciais para o funcionamento da
democracia.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
