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Telemedicina com 5G avança no Brasil e já evita deslocamentos de pacientes em áreas remotas
Mais de 900 exames
realizados à distância entre pacientes de uma cidade rural do Piauí e
médicos em São Paulo mostram que a telemedicina com tecnologia 5G já é
uma realidade no Brasil, e com impacto direto na vida da população. O
projeto OpenCare 5G acaba de concluir sua primeira fase de testes com
resultados promissores. Em 70% dos casos, os pacientes não precisaram se
deslocar para outros municípios em busca de diagnóstico.
A iniciativa
conecta pacientes de Miguel Alves (PI) a especialistas em São Paulo,
utilizando uma rede 5G exclusiva e de alta velocidade, capaz de
transmitir exames complexos em tempo real, sem falhas. O objetivo é
simples: levar atendimento médico de qualidade a regiões onde o acesso
ainda é limitado.
“A telemedicina
precisa de conectividade para ser eficiente. O Brasil é um país
geograficamente muito complexo, com regiões remotas e ribeirinhas, onde o
acesso aos serviços básicos precisa chegar para todos. Temos apoiado
inovações para reduzir as barreiras entre o atendimento médico de
qualidade e pacientes que vivem longe dos grandes centros”, afirmou o
ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
O projeto conta com
investimento de R$ 7,3 milhões do Fundo para o Desenvolvimento
Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), gerido pelo Ministério das
Comunicações, e reúne parceiros como o CPQD, a BP, o Hospital das
Clínicas da USP (InovaHC) e a Samsung.
Iniciado em maio de
2025, o piloto utilizou uma tecnologia inovadora conhecida como Open
RAN, que permite maior eficiência e flexibilidade nas redes móveis. Na
prática, isso possibilitou que médicos acompanhassem exames ao vivo e
orientassem profissionais de saúde à distância, garantindo mais
agilidade no diagnóstico.
Na primeira fase,
foram realizados exames cardiológicos, ginecológicos e ultrassonografias
em gestantes. Em todos os casos, a transmissão das imagens ocorreu com
sucesso, permitindo que especialistas analisassem os resultados em tempo
real.
Para garantir a
qualidade do atendimento, os profissionais envolvidos passaram por
capacitações específicas, incluindo treinamentos intensivos, como uma
formação de 48 horas para a realização de exames do coração. Com cerca
de 30 mil habitantes, Miguel Alves foi escolhida como cidade piloto por
representar bem a realidade de municípios brasileiros com grande
população rural, cerca de 70% dos moradores vivem fora da área urbana.
Funttel
Gerido pelo
Ministério das Comunicações, o fundo tem como objetivo fomentar a
transformação digital e o aprimoramento tecnológico no país, com
investimentos em áreas estratégicas de ciência e tecnologia. O
desenvolvimento de ferramentas como a Internet das Coisas (IoT), a
Inteligência Artificial (IA) aplicada ao setor de telecomunicações e o
5G na área da saúde são exemplos de aplicações apoiadas pelo Funttel.
Somente em 2025, o Funttel forneceu mais de R$ 327 milhões em financiamento a empresas do setor. Os recursos foram destinados ao apoio de projetos de tecnologia e à venda de equipamentos pela indústria brasileira de telecomunicações.
