Foto: Divulgação
1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios” resgata a memória negra e transforma a história em rito cênico no Teatro SESI Rio Vermelho
A Revolta dos Búzios ganha corpo, voz e pulsação no espetáculo “1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios”, nova criação da Cia de Teatro Gente, que estreia em março no Teatro SESI Rio Vermelho. A peça fica em cartaz dias 11, 12, 18 e 19 de março (quartas e quintas), às 20h, com ingressos a R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia) | R$ 80 (casadinha) – Sympla.
A montagem revisita um dos mais importantes levantes populares e anticoloniais da história do Brasil a partir da perspectiva de Lucas Dantas de Amorim Torres, jovem negro, soldado e mártir do movimento, historicamente silenciado pelos registros oficiais.
Em cena, Everton Machado conduz um solo de intensa força física, vocal e simbólica. História, poesia, música e ritual se entrelaçam em uma dramaturgia que desloca o olhar historiográfico tradicional e recoloca Lucas Dantas no centro da narrativa — não como figurante da história, mas como sujeito político, intelectual e revolucionário. O espetáculo transforma o palco em espaço de escuta, confronto e celebração da memória negra.
Mais do que uma reconstituição histórica, “1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios” se afirma como um ato de insurgência cênica, dialogando diretamente com o presente ao abordar temas urgentes como racismo estrutural, colonialidade, apagamento da memória negra e os projetos de liberdade gestados à margem do poder. O corpo do ator torna-se arquivo vivo, território de disputa e ferramenta pedagógica, convocando o público a refletir sobre quem escreve a história — e a quem ela serve.
Sinopse
Às vésperas da execução, Lucas Dantas revisita sua trajetória, seus sonhos, alianças e rupturas. Em um fluxo que mistura memória, delírio e lucidez, o personagem atravessa o tempo e convoca o público a testemunhar não apenas sua morte, mas, sobretudo, seu projeto de liberdade. O espetáculo transforma o patíbulo em tribuna e a cena em rito de passagem entre passado e presente, onde palavra, canto e movimento constroem um gesto coletivo de memória.
A montagem
O espetáculo marca o primeiro monólogo da carreira de Everton Machado, que celebra 30 anos de trajetória nas artes cênicas, no cinema e na televisão. A criação nasce do encontro entre a pesquisa acadêmica do ator — desenvolvida em seu Doutorado em Educação pela UFBA, com foco na Revolta dos Búzios — e um processo colaborativo que articula encenação contemporânea, musicalidade afro-brasileira, dramaturgia da voz, multilinguagem e tecnologia cênica.
Com estética ritualística e minimalista, a encenação é potencializada por videomapping, trilha sonora original e desenho de luz, criando uma atmosfera de forte densidade simbólica sem abrir mão do rigor histórico. A obra também se destaca por sua vocação formativa, dialogando com espaços educativos e projetos pedagógicos, reafirmando o teatro como instrumento de memória, reflexão crítica e transformação social.
Um arsenal de talentos do teatro baiano
Embora seja um solo em cena, Everton Machado reuniu um verdadeiro arsenal de estrelas nos bastidores, com cerca de 15 profissionais renomados do teatro baiano. A ficha técnica reúne nomes como Nathan Marreiro (direção, cenografia e dramaturgia), Maurício Lourenço (direção musical), Jorge Silva (direção de movimento), Cássio Caiazzo (Figurino), Fábio Espírito Santo (iluminação), Fao Miranda (dramaturgia da voz), Ceci Alves (multimídia) e imagens do documentário 1798 – Revolta dos Búzios, de Antônio Olavo, entre outros.
Um ator em projeção internacional
Everton Machado vive um momento de consagração artística. Em 2024, foi indicado ao Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) pelo filme Café, Pepi e Limão, além de acumular prêmios no teatro e passagens pela TV Globo, Amazon/Audible e séries inéditas. Após a temporada em Salvador, o espetáculo inicia sua primeira turnê internacional, com apresentação no Festival Internacional de Luanda (Angola), em maio, e participação no FESTTO (MG), em junho.
A Companhia
Com mais de 20 anos de trajetória, a Cia de Teatro Gente desenvolve uma pesquisa continuada voltada para o teatro político, a formação de público e a valorização de narrativas negras e populares. Reconhecida pelo impacto estético e social de suas montagens, a companhia atua também em ações formativas, circulação artística e projetos educativos, Consolidando-se como referência na cena teatral baiana, com montagens como 'Barrela', que rendeu o Prêmio Braskem a Everton Machado, e 'Balada de um Palhaço', com Everton indicado em 2019)"
SERVIÇO
Espetáculo: 1798 – Lucas Dantas: Um Herói de Búzios
Ator: Everton Machado
Local: Teatro SESI Rio Vermelho – Rua Borges dos Reis, 9
Datas: 11, 12, 18 e 19 de março (quartas e quintas)
Horário: 20h
Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia) | R$ 80 (casadinha) – Sympla
Realização: Cia de Teatro Gente / EAG – Escola de Arte Gente
Por Doris Pinheiro
