Foto: Francisco Moreira
Quer acertar na ‘Comunicação’ em 2026? Diretora de publicidade da Prefeitura destaca trends e estratégias para a comunidade internacional
Como você imagina a ‘Comunicação’ no ano de 2026? Em tempos de instabilidade política e guerras comerciais, o relatório de inovação da Dentsu (Human Truths in the Algorithmic Era) revela que simplificar processos e personalizar experiências conforme o humor do público, norteará os próximos passos das organizações.
No entanto, essa ciência não é exata. Presos ao ‘Doomscrolling’ – hábito digital de passar horas descendo a landing page do Instagram; comunidades inteiras estão cada vez mais de “ressaca da informação”, impedindo que o conteúdo chegue ao usuário final sem ruídos.
Esse fenômeno, avaliado pela Diretora de Publicidade na Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), Lília Lopes, faz parte das tendências para a Comunicação pública e estratégica em 2026. Reunindo trends favoráveis e adversas, a profissional revela que esse é o momento ideal para contornar crises e avaliar novas estratégias.
“A ‘ressaca da informação’, que integra o quadro defasado da Comunicação para 2026, desponta como um dos maiores desafios para governos, empresas e organizações no mundo todo. Ao longo do ano, esses agentes precisarão se ajustar à velocidade das informações e às demandas de consumidores (GenZ, Alpha) cada vez mais exigentes, críticos e seletivos; que descartam conteúdos que não sejam relevantes ou confiáveis”, conta.
Esse cenário reforça a necessidade de acompanhar as mudanças no consumo de conteúdo. Pelos próximos meses, Lília projeta uma avalanche no consumo de vídeos curtos e virais, acompanhando, cada qual, seu nicho de atuação; o apelo ao fact-checking que, segundo a profissional, mexe no vespeiro da reputação das empresas; além do ‘paradoxo da IA’ na produção, consumo e desenvolvimento das atividades.
“Esse último, sem dúvidas, é o que mais causa estranheza. Estamos caminhando para um ano em que as ferramentas de IA alcançam um marco super realista, mas que ainda assim, conseguimos notar uma certa resistência dos consumidores finais. Obras que já vem marcadas como ‘conteúdo de IA’, naturalmente, têm menos apelo entre o público. No entanto, ferramentas como o Grok, ChatGPT e o VEO 3 seguem amplamente difundidas e utilizadas no mercado, facilitando o processo de ‘desenvolvimento’; mas ainda muito longe de serem aceitas como ‘produto final’ na comunicação de marcas, influenciadores ou governos”, explica.
Para 2026, os ‘vídeos curtos’ como reels e shorts deixam de ser opção para atuar como formato principal das estratégias de comunicação. Segundo Lília, o consumo destinado às novas gerações (Z e Alpha) deve transformar a maneira como o entretenimento e outros setores do mercado se comportam para dialogar com seu público-alvo.
Dentro da comunicação empresarial, principalmente na esfera pública, a profissional sênior destaca a importância de marcas e governos consolidarem sua reputação. “Isso porquê, com a informação cada vez mais pulverizada, as microcomunidades buscam (após a chamada dos influencers) checar as informações com autoridades. Nesse processo, que deve se afunilar até o final do ano, é importante que os governos fortaleçam sua presença no meio digital, simplificando as informações e o acesso para ter mais assertividade e relevância à nível global”, comenta.
Somando quase 30 anos de experiência no mercado de Comunicação Digital, Marketing, Publicidade e Política, Lília reforça que a Geração X possui um papel estratégico em 2026 na transformação das comunicações públicas. A profissional reforça que esses líderes trazem equilíbrio entre tecnologia e empatia, experiência e inovação; sendo capazes de guiar equipes jovens e traduzir dados e tendências em ações concretas.
“Os profissionais da GenX têm uma posição única neste cenário. Eles entendem a velocidade da informação, dominam a comunicação digital e, ao mesmo tempo, conhecem os fundamentos da construção de confiança e reputação. Em 2026, o sucesso da Comunicação pública dependerá da capacidade desses líderes para equilibrar inovação, dados e narrativa humana; garantindo que a mensagem não apenas chegue, mas seja compreendida e internalizada pelos cidadãos”, conclui.
Por Anna Vilarina
