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FIEB promove encontro para fortalecer o setor vitivinícola da Bahia
A
Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) realizou um encontro
com representantes do setor vitivinícola baiano com o objetivo de
aproximar a entidade das vinícolas, compreender os desafios do segmento e
construir uma agenda comum de desenvolvimento. O evento reuniu 13
empresas do setor, que vão desde grandes vinícolas até nanovinícolas
localizadas no Norte do estado e na Chapada Diamantina.
Durante a abertura, o presidente da FIEB, Carlos Henrique
Passos, destacou a importância da atuação conjunta para o fortalecimento
do segmento. “O que podemos fazer juntos pelo setor industrial? Juntos
temos mais força”, afirmou, ressaltando que a Federação pode contribuir
especialmente nas áreas de capacitação, articulação institucional e
organização de demandas do setor.
A necessidade de estruturar o mercado foi reforçada por
Caroline Dani, representante da Associação Brasileira de Sommeliers
(ABS), que participou do evento de forma remota. Segundo ela, o Brasil é
um dos países com maior potencial de crescimento no consumo de vinhos,
mas esse avanço depende de maior organização do setor. “É preciso
estruturar o segmento para aproveitar esse potencial de mercado”,
pontuou.
Entre os principais desafios levantados pelos participantes
estão a dependência de insumos vindos de fora do estado, como garrafas e
rolhas, as dificuldades logísticas — especialmente nas estradas, como a
conhecida Estrada do Feijão, por exemplo, que liga Morro do Chapéu a
Lençóis —, além de questões fiscais, estratégicas e de capacitação.
Também foram citados os impactos decorrentes do acordo entre o Mercosul e
a União Europeia.
O sócio da Vinícola Sertania, Marcos Barberino, chamou
atenção para o chamado “apagão logístico” enfrentado pelas empresas e
defendeu medidas como a renúncia fiscal para atrair novos investimentos.
Ele destacou ainda a evolução do setor no estado: “Em 2009, a Bahia
produziu zero garrafas de vinho. Hoje, temos cinco vinícolas com alguma
produção. Mesmo as nanovinícolas geram um efeito multiplicador imenso
nos territórios”.
Barberino ressaltou que o vinho vai além da bebida em si,
agregando valor ao território e impulsionando outras atividades
econômicas, como o turismo e a hotelaria. “Uma vinícola é uma indústria
artesanal, que reúne muitos saberes técnicos. Em regiões como Morro de
Chapéu, a tendência é a formação de um cluster de indústria
manufatureira artesanal, com identidade própria”, afirmou.
A gerente de Relações Sindicais da FIEB, Manuela
Martinez, anunciou que será criado inicialmente um grupo de trabalho
para aprofundar o diagnóstico do setor. “A ideia é entender as demandas,
aproximar o setor da Federação e definir como ele pode estar inserido
dentro do sistema. Vamos atuar em frentes como capacitação, articulação
com o governo e apoio técnico”, explicou. Segundo ela, o encontro marca
apenas o primeiro de muitos passos para consolidar o vinho como um setor
industrial na Bahia.
Para Fabiano Borré, sócio-fundador e CEO da Vinícola UVVA, a
iniciativa representa um momento decisivo para o segmento. “Todo setor
precisa unir forças, transferir conhecimento e se alinhar em torno de
objetivos comuns, principalmente de longo prazo. O vinho é agro, é
turismo e é indústria. Integrar tudo isso à indústria é o passo final
dessa jornada”, avaliou.
Fonte: FIEB
