Foto: Emerson Santana
02 de Fevereiro: Oferenda Musical à Rainha do Mar celebra fé, ancestralidade e protagonismo feminino em Salvador
O som da cabaça, o balanço das miçangas e a força do coletivo feminino vão ecoar mais uma vez nas águas de Salvador em um ritual que já se tornou tradição no calendário cultural e religioso da cidade. No dia 02 de fevereiro, data dedicada a Iemanjá, o Movimento Agbelas realiza, no Rio Vermelho, a sua Oferenda Musical à Rainha do Mar, reunindo fé, arte, ancestralidade e resistência feminina.
A ação é liderada pela maestrina, arte-educadora e luthier Gio Paglia, idealizadora do movimento, e chega ao seu terceiro ano consecutivo em Salvador. Ao todo, cerca de 200 mulheres participam da mobilização, sendo aproximadamente 100 em Salvador e outras 100 no Rio de Janeiro, vindas do Brasil, Canadá, Portugal, Argentina, Austrália, Estados Unidos, Chile e Suíça, em um grande cortejo sonoro e simbólico.
A concentração acontece às 5h, no Largo da Dinha, com saída às 6h em direção à Praia da Paciência, onde o grupo se une ao Movimento Flores Pra Iemanjá, coordenado pela mestra de capoeira Dandara Baldez, da comunidade do Alto da Sereia.
“A presença das Agbelas no dia 2 de fevereiro simboliza, sobretudo, a força da diversidade. Reunimos mulheres de diferentes países, línguas, idades e costumes, o que dialoga diretamente com o simbolismo das cabaças. Cada uma é única, assim como cada corpo feminino de ascendência africana. É essa diversidade que transforma a nossa oferenda em potência no dia dedicado àquela que é considerada a mãe de todas as cabeças”, explica Gio Paglia.
Mais do que um ritual, a Oferenda Musical do Movimento Agbelas se consolida como um manifesto cultural, onde tradição, arte contemporânea e identidade negra se encontram em reverência às águas e à força feminina que delas emerge.
Expansão do ritual para o Rio de Janeiro
Como desdobramento dessa manifestação artística potente, a Oferenda Musical à Rainha do Mar ultrapassa as águas de Salvador e chega, pela primeira vez, ao Rio de Janeiro. A apresentação acontece no dia 07 de fevereiro, no Aterro do Flamengo, com concentração às 6h e cortejo às 7h.
Em solo carioca, a performance também contará com cerca de 100 mulheres, que se conectam por meio de uma grande orquestra de xequerês, coral e grupo de percussionistas, reverberando toques e ritmos da cultura popular brasileira e das tradições dos terreiros.
Sobre o Movimento Agbelas
Nascido em Brasília e com atuação internacional, o Movimento Agbelas desenvolve uma pesquisa artística e pedagógica que tem o xequerê (agbê) como protagonista. Para o coletivo, o instrumento é um “corpo-cabaça” que dança e canta, funcionando como ferramenta de cura, poder e conexão com a ancestralidade. O cortejo é o ápice de um trabalho que valoriza os saberes de matriz africana e promove o letramento racial por meio da música.
Trajetória de Gio Paglia e conexão com a Portela
A força do Agbelas é sustentada pela trajetória de sua fundadora. Gio Paglia desenvolveu uma metodologia de ensino decolonial de experimentação percussiva, já alcançando mais de 3 mil alunos ao redor do mundo, em países como Japão, Estados Unidos, Austrália e nações europeias.
Com formação na Escola Olodum e parcerias com artistas como Carlinhos Brown e Margareth Menezes, Gio consolidou-se como uma das maiores referências no xequerê. Recentemente, sua maestria foi reconhecida pela maior campeã do Carnaval carioca: a Portela, onde assumiu o posto histórico de diretora da ala de xequerês da bateria, sendo uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo de direção na linha de frente da agremiação.
SERVIÇO:
OFERENDA MUSICAL AGBELAS – SALVADOR
Data: 02 de fevereiro
Local: Largo da Dinha
Horário: Concentração a partir das 5h e cortejo às 6h.
Gratuito
Por André Frutuoso
