Entenda como exames de medicina nuclear contribuem para o diagnóstico das demências
Foto: Divulgação/ Freepik
Entenda como exames de medicina nuclear contribuem para o diagnóstico das demências
24/01/2026
Noticias Gerais
Dados do Ministério da Saúde, apresentados no Relatório Nacional sobre a Demência de 2024, mostram que cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais convivem com demência, representando um número aproximado de 1,8 milhão de casos. O relatório ainda destaca que cerca de 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou retardados. Diante desse cenário, o diagnóstico precoce e preciso torna-se fundamental para o acompanhamento da evolução da doença e a qualidade de vida dos pacientes e familiares.
Nesse contexto, a medicina nuclear se destaca como ferramenta essencial na avaliação das demências e de outras doenças neurodegenerativas. Diferentemente de exames como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, que avaliam principalmente a anatomia do cérebro, exames como o PET-CT permitem analisar a atividade funcional, metabólica e molecular cerebral, mostrando como diferentes áreas estão atuando antes mesmo do surgimento de alterações estruturais evidentes.
Segundo o médico especialista em medicina nuclear, Dr. Fabiano Torres (CRM-BA: 13693 / RQE-BA: 9637), esses exames fornecem informações essenciais para a prática neurológica atual. “Em muitos casos, contribuem para esclarecer quadros complexos, diferenciar causas neurológicas e apoiar decisões clínicas mais seguras, especialmente quando o diagnóstico não é evidente apenas pelos exames convencionais”, afirma.
Entre os principais exames utilizados estão o PET cerebral (Tomografia por Emissão de Pósitrons) com FDG, o PET amiloide e o SPECT cerebral, também conhecido como cintilografia de perfusão cerebral. Essas tecnologias avaliam o metabolismo cerebral, o fluxo sanguíneo e, em alguns casos, a presença de proteínas associadas às demências. De acordo com o especialista, os exames permitem identificar padrões característicos de hipoatividade cerebral, fundamentais para diferenciar doenças como a doença de Alzheimer, demência frontotemporal e demência vascular.
Os exames de medicina nuclear têm ganhado relevância em casos de demência de difícil diagnóstico, quando há sintomas atípicos, progressão rápida ou sobreposição entre diferentes síndromes demenciais. Nesses cenários, o PET-CT e o SPECT ajudam a confirmar ou afastar a presença de processos neurodegenerativos.
O Dr. Fabiano Torres reforça que os exames atuam de forma complementar, sempre integrados ao histórico clínico, avaliação neurológica, testes neuropsicológicos e exames estruturais. “Os achados metabólicos devem ser interpretados em conjunto com dados clínicos, neuropsicológicos e estruturais, sendo o principal valor do exame a exclusão ou sugestão de doença neurodegenerativa associada”, pontua.