Na cerimônia realizada na Regional do Serpro, em Brasília (DF), Lula atribuiu o avanço da Reforma Tributária ao diálogo com todas as partes envolvidas - Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Momento histórico”, diz Lula durante lançamento do Portal da Reforma Tributária e sanção da lei que cria Comitê Gestor do IBS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira, 13 de janeiro, do evento de lançamento da Plataforma Digital da Reforma Tributária, que
marcou o início da fase de implementação da nova arquitetura
tecnológica que dará sustentação à Contribuição sobre Bens e Serviços
(CBS).
Durante o
ato, o presidente Lula sancionou Projeto de Lei Complementar nº
227/2026, que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços
(IBS). O órgão será responsável por gerir e coordenar operacionalmente o
novo imposto que será compartilhado entre estados, Distrito Federal e
municípios.
Lula
atribuiu o avanço da Reforma Tributária ao diálogo com todas as partes
envolvidas. “Se não fosse a dedicação desse punhado de gente que
resolveu conversar, fazer reuniões à meia-noite, uma hora da manhã,
receber desaforo, receber ‘não’, a gente não estaria hoje vivendo esse
momento histórico”, destacou o presidente, na cerimônia realizada na
Regional do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), em
Brasília (DF).
O ato
concluiu etapas essenciais de regulamentação da Reforma Tributária
aprovada pelo Congresso Nacional e representou um marco na criação do
federalismo fiscal cooperativo, no qual os entes atuam em conjunto para
simplificar o sistema tributário para o contribuinte.
“Nós
vamos apertar um botão para fazer funcionar um sistema que é uma espécie
de teste. Durante todo este ano, esse sistema vai funcionar como teste
para que, quando chegar o dia 1º de janeiro de 2027, a sociedade
brasileira ganhe“, disse Lula, referindo-se à data em que se iniciará a
cobrança da CBS pela alíquota cheia.
BENEFÍCIOS
No evento, o vice-presidente da República e ministro do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin,
indicou que a Reforma Tributária pode fazer o Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro crescer 12% a mais em 15 anos, de acordo com estudo do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Ela traz eficiência
econômica e desenvolvimento para o país. O poder de tributar não pode
ser para destruir, ele deve ser um poder para instruir e construir. E
essa mudança histórica vai trazer desenvolvimento e investimento para o
nosso país e o crescimento da economia”, afirmou.
O
ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou a segurança da
Plataforma Digital da Reforma Tributária, viabilizada pela experiência
do Serpro. “Ele guarda todas as nossas informações fiscais no que diz
respeito ao imposto de renda e, com o mesmo zelo, fará agora em relação à
emissão de notas por parte dos prestadores de serviço e dos
fornecedores de bens. Isso vai nos permitir ter uma radiografia completa
da economia brasileira: o que está acontecendo com o desenvolvimento
local de cada cidade, com o preço das mercadorias e com o recolhimento
de tributos. Vamos poder entregar um relatório de tudo”, declarou.
MODERNIZAÇÃO
O lançamento da plataforma simboliza um dos mais relevantes marcos da
modernização do Estado brasileiro nas últimas décadas, ao unir
transformação fiscal, inovação tecnológica e soberania digital. A maior
infraestrutura digital já desenvolvida para o sistema tributário
brasileiro, a plataforma tem capacidade estimada para processar cerca de
200 milhões de operações por dia e movimentar aproximadamente 5
petabytes de dados por ano. O portal foi testado por mais de 400
empresas nos últimos seis meses.
Nesse
sentido, o presidente do Serpro, Wilton Mota, afirmou que uma reforma
ampla como a tributária só se torna viável quando acompanhada de um
ecossistema tecnológico robusto, seguro e soberano. “Garantir que dados
sensíveis, estruturantes e estratégicos estejam sob gestão pública
significa proteger a autonomia nacional, assegurar a integridade das
informações e fortalecer a confiança da sociedade nas instituições
públicas”, declarou.
Já o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, pontuou os avanços que as mudanças promovidas pelo governo trazem para a população brasileira. “Com a Reforma Tributária, nós passamos a ter uma única legislação para o Brasil todo. E, com o sistema que inauguramos hoje, os erros de preenchimento de documentos fiscais serão praticamente eliminados. O sistema já fornece ao contribuinte a calculadora oficial da Receita Federal, que poderá ser acoplada aos sistemas da empresa. E, se o contribuinte cometer algum erro no preenchimento da nota fiscal, o sistema vai avisar e orientar, dando oportunidade para correção”, explicou.
Confira 15 pontos sobre a Reforma Tributária do Consumo:
O novo sistema e a plataforma digital
Portal da
Reforma: Nesta terça (13) entra em funcionamento o Portal da Reforma
Tributária. Desenvolvido por Serpro e Receita Federal, vai centralizar a
gestão de tributos, com calculadora, apuração assistida e declarações
pré-preenchidas.
Infraestrutura
Gigante: A plataforma digital tem capacidade para 200 milhões de
operações por dia, e de movimentar 5 petabytes de dados por ano (um
volume até 150 vezes maior que o do PIX).
IVA Dual: O Brasil começa a consolidar o Imposto sobre Valor Agregado (IVA Dual), composto por CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços - Federal) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços - Estadual e Municipal). Os dois vão substituir cinco atuais: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS.
A transição
2026,
o "Ano Educativo": O primeiro ano de implementação (2026) é focado na
adaptação. Não há penalidades previstas para empresas que não cumprirem
obrigações acessórias. A prioridade é o aprendizado do novo sistema.
Implementação
Gradual: A transição completa ocorre entre 2026 e 2032. O sistema
antigo e o novo vão coexistir no período. O IVA Dual passa a vigorar
plenamente, para toda a sociedade, em 2033. Foi instituído um teto de
26,5% para a alíquota-padrão.
O que importa para o contribuinte
Não há
aumento de Carga Tributária: A reforma foca na mudança do modelo de
cobrança (de arcaico para moderno) e não no aumento do que é arrecadado.
O objetivo é a neutralidade fiscal.
Princípio
do Destino: O imposto passa a pertencer ao local onde o bem ou serviço é
consumido, e não onde é produzido. Isso acaba com a guerra fiscal entre
estados e municípios.
Cashback
para baixa renda: Uma inovação é a devolução de parte do imposto pago
por famílias de baixa renda: justiça social direta no consumo.
Cesta
Básica Isenta: A criação de uma ampla cesta básica de itens com alíquota
zero garante que itens essenciais de alimentação fiquem mais baratos e
protejam o poder de compra da população. A nova cesta básica passa a
valer a partir de 2027.
Fake News
Nada
muda para MEIs: É falso que o Microempreendedor Individual (MEI) terá
aumento de carga para 26,5%. O regime simplificado e favorecido do MEI
continua sem mudanças estruturais.
Sem
taxação de PIX e transações - Mensagens falsas indicam que transações
bancárias superiores a R$ 5 mil serão taxadas em 27,5%, com multa de
150% para quem não pagar esse tributo inexistente. É falso. A
Constituição proíbe explicitamente a tributação de movimentações
financeiras. A Receita reforça que essa é uma mentira criada para
disseminar pânico financeiro. A única verdade na história é que desde o
início de 2026, quem ganha até R$ 5 mil por mês está completamente
isento de Imposto de Renda.
Autônomos: Prestadores de serviços como pedreiros, jardineiros e
pintores (pessoa física) não são obrigados a se formalizar ou emitir
nota fiscal por causa da reforma. A reforma cria ainda a figura do
nanoempreendedor (aquele que fatura até metade do limite do MEI, mas não
é formalizado como MEI) que não pagará IBS e nem CBS nessa atividade.
Motoristas de Aplicativo: Aqueles que faturam até R$ 162 mil/ano (como nanoempreendedores) estão isentos de CBS e IBS.
Governança e Transparência
Comitê
Gestor do IBS: É a instância técnica que reúne representantes de
estados e municípios para arrecadar o imposto, distribuir as receitas e
uniformizar a interpretação da lei. Garante que a regra seja a mesma em
todo o país.
Fim da
Cumulatividade: O novo sistema elimina o "imposto sobre imposto", torna o
produto brasileiro mais competitivo e o sistema totalmente transparente
para o consumidor.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
