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Sessão Solene na UFBA abre as homenagens pelo Centenário de Nascimento de Roberto Santos
Na próxima segunda-feira, 14 de setembro, às 9h30, acontece no Salão Nobre da Reitoria da UFBA a Sessão Solene de Abertura das Comemorações do Centenário de Roberto Santos. A solenidade aberta ao público dá início às comemorações que envolvem a trajetória do brilhante intelectual baiano que deixou sua marca em diversos setores, na Bahia e no Brasil. A sessão contará com homenagens promovidas pela Academia de Ciências da Bahia (ACB); Academia de Letras da Bahia (ALB); Academia de Medicina da Bahia (AMB); Academia Baiana de Educação (ABE); Universidade Federal da Bahia; Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Fiocruz-BA, SENAI-Cimatec, FIEB, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, entre outras instituições.
“Nós, da família, estamos felizes com todas as homenagens que visam celebrar a memória do nosso pai”, afirma a professora-doutora Cristiana Santos, filha do homenageado. Médico, cientista, professor, governador, ministro. São muitas as facetas e as áreas nas quais Roberto Santos atuou, sempre deixando uma marca pessoal em todas elas. “Ele era uma pessoa especial, de escuta e de diálogo. Tinha orgulho de ser professor. E teve uma vida pública dedicada a educação, saúde, ciência e tecnologia como instrumentos de inclusão e redução das desigualdades sociais.”, afirma.
A extensa programação do Centenário de Roberto Santos inclui palestras, seminários, apresentações musicais, missa, entre outras ações. No dia 15.09, data do seu aniversário, será realizada uma missa, organizada pela família, às 18h, na Capela Nossa Senhora das Vitórias, na Pupileira.
Um dos destaques das homenagens será o concerto que o Neojibá realizará no dia 18 de setembro, às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves, sob a regência do maestro Ricardo Castro. No repertório, músicas de Mozart, Beethoven, Brahms, Handel e Widmer. No dia 22 de setembro, às 18h, haverá uma sessão solene na Academia de Letras da Bahia (ALB) em homenagem ao saudoso confrade da Cadeira nº 26.
A família criou no Instagram a página @roberto.santos100anos para relembrar sua trajetória e registrar a programação das homenagens.
Legado
Roberto Santos governou a Bahia de 1975 a 1979. Durante sua gestão foram instalados 300 postos de saúde, construídos 20 hospitais regionais e o Hospital Roberto Santos, 33 Centros Sociais Urbanos, mais de 3.000 salas de aula, o Parque de Exposições, o Parque de Pituaçu e o primeiro Museu de Ciência e Tecnologia interativo da América Latina. Também foram implantados os bairros de Mussurunga, Cajazeiras e Narandiba.
No campo da Economia, deu impulso à implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari. A construção do Centro de Convenções da Bahia fomentou o turismo de negócios fora das estações de alta temporada.
A nível nacional, Roberto Santos foi presidente do CNPq (1985-1986), e ministro da Saúde durante o governo de José Sarney (1986–1987). Nessa época participou ativamente da formulação das bases que criariam o atual Sistema Único de Saúde (SUS). Foi representante do Brasil no Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (1987-1990).
Trajetória
Roberto Figueira Santos, filho de Edgar Rego Santos e Carmen Figueira Santos, nasceu em Salvador, Bahia, no dia 15 de setembro de 1926. Em julho de 1950, poucos meses após diplomar-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, obteve bolsa da Fundação W. K. Kellogg que lhe permitiu viajar para os Estados Unidos da América do Norte onde, durante quase três anos frequentou Hospitais das Universidades de Cornell, Michigan e Harvard. Além de completar a sua formação no campo da Clínica Médica, participou de pesquisas sobre o metabolismo hidromineral no Massachusetts General Hospital, sob a orientação do professor Alexander Leaf.
De volta a Salvador, passou a trabalhar em regime de dedicação exclusiva no Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia, hoje designado Hospital Universitário Professor Edgar Santos. Obteve o título de Doutor em Ciências Médico-Cirúrgicas mediante defesa de tese submetida à Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Submeteu-se a concurso para a docência-livre e conquistou, também, mediante concurso de títulos e provas, a cátedra de Clínica Médica da mesma Faculdade.
No exercício da cátedra criou o primeiro programa de residência médica do norte-nordeste do País e liderou alteração no currículo do curso de Medicina, com o intuito de evitar a especialização precoce, muito frequente até então. Defendeu a inclusão do ensino da sociologia médica aos estudantes, ainda no início da formação profissional. Pelo interesse revelado nos problemas da formação de médicos, foi eleito Presidente da Associação Brasileira de Educação Médica.
Em 1963, casou-se com a senhora Maria Amélia Menezes Santos. O casal teve seis filhos.
Em 1967 foi nomeado Reitor da Universidade Federal da Bahia para um mandato de quatro anos, durante o qual dedicou especial atenção à reforma da estrutura universitária nos termos do Decreto-Lei 53, de 1966, e de documentos legais subsequentes.
Entre 1964 e 1964, Roberto Santos exerceu o cargo de membro do Conselho Federal da Educação, tendo sido Presidente do mesmo órgão de 1971-1974. Em 1975 assumiu o Governo do Estado da Bahia, com mandato de quatro anos. Sua gestão foi marcada por grande ênfase na atenuação dos imensos problemas sociais da população do Estado. Implantou o primeiro Museu de Ciência e Tecnologia do País. No campo da Economia deu um grande impulso à construção de Pólo Petroquímico de Camaçari, fomentou o turismo com a construção do Centro de Convenções da Bahia, contribuiu para a modernização da agricultura construindo o Parque de Exposições de Animais e intensificando a cultura no café no Estado.
No início do governo José Sarney assumiu a Presidência do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Pouco mais de um ano depois, foi nomeado Ministro da Saúde, cargo que ocupou entre os anos 1986 e 1987. Em seguida, representou o Brasil na Organização Mundial da Saúde, em Genebra, durante três anos.
Eleito Deputado Federal pelo Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB), exerceu o mandato de 1995-1999, findo o qual reuniu seus pronunciamentos em volume intitulado Um mandato parlamentar a serviço das causas sociais. Em seguida, afastou-se da militância política para dedicar-se a iniciativas de natureza cultural. Em 2004 foi eleito Presidente da Academia de Educação da Bahia, além de participar ativamente da Academia de Letras da Bahia e da Academia de Medicina, e de Comissões ligadas à Reitoria da Universidade Federal da Bahia.
Faleceu em Salvador, em 9 de fevereiro de 2021, aos 94 anos.
Por Márcia Moreira
