Psicólogo, Mestre em Psicologia e escritor Vladimir Nascimento / Foto: Arquivo O Candeeiro
ARTIGO - ENVELHECER SEM DEIXAR DE VIVER = Por Vladimir Nascimento
Muitos
jovens e crianças morrem cotidianamente, mas costumamos vincular a morte apenas
aos idosos. Por que acreditamos que o idoso não tem mais potencialidade para
(re)começar uma nova vida, uma nova história? Por que muitas vezes os velhos
sempre são visto como inativos, passivos, ultrapassados e sem valor?
“Aproveitar a vida” e “viver bem” não é sinônimo de juventude. Cada ser humano, em qualquer etapa da sua vida tem direito de planejar e cumprir seus projetos pessoais, familiares e sociais – ações estas que, definitivamente, não estão atreladas à idade cronológica.
Nietzsche,
filósofo alemão, dizia que devemos aproveitar nossa vida com intensidade, de
maneira tal, que quando a morte chegar encontre apenas a carcaça do nosso
corpo, pois a alma estará toda consumida de viver. E essa forma de viver em
plenitude não significa fazer coisas mirabolantes ou megalomaníacas, e também
independe de condições financeiras, mas deve ser dentro da realidade e
possibilidade de cada um. No entanto, o mais importante é não deixar de fazer
por ser velho, ou por achar que o trem da sua vida já chegou à última estação.
Então, faz-se necessário buscar sempre uma novidade dia após dia: construir novos laços de amizades; conhecer lugares novos; aprender um curso diferente ou a tocar um instrumento; praticar um esporte; voltar a estudar (tudo isso, obviamente, dentro de suas limitações físicas e cognitivas) – enfim, criar novas metas e tentar cumpri-las. Assim, tais ferramentas possibilitarão ao idoso reavivar seus desejos e, consequentemente, preveni-lo de possíveis transtornos psíquicos, como a depressão. É uma pena que muitas pessoas precisem adquirir uma doença incurável ou estar em seu leito de morte para perceber a importância da vida.
Lamentavelmente ainda é grande o descaso e a falta de valorização com os idosos – pessoas repletas de sabedoria e de muito conhecimento, que às vezes nunca entrou em uma sala de aula, mas entende de coisas que um acadêmico ou mesmo um PhD jamais poderia aprender.
Ninguém sabe ao certo quando vai morrer, portanto todas as pessoas, em qualquer fase da vida, têm possibilidades de ajudar a construir um mundo melhor. E o que vai pesar não é a idade cronológica, mas a maturacional. O corpo não significa nada, e sim a alma, a mente, o espírito livre e pronto para enfrentar o novo. Existem muitos jovens com espírito velho, e também idosos com corpos já desgastados e fatigados das lutas da vida, mas ciente que tem emoções, sentimentos, sexualidade, e por isso é um ser humano ativo. Sabendo disso, eles contribuirão muito mais para a sociedade, pois levarão sua garra, seus projetos e seus sonhos somados à sabedoria, adquirida com a vida – e nós, jovens, precisamos valorizá-los e aprender com eles cada vez mais.
Vladimir de Souza Nascimento
Psicólogo, mestre em Psicologia (UFBA), escritor e Palestrante.
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