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Clima instável torna planejamento e regulagem de máquinas essenciais no plantio
A instabilidade climática prevista para os próximos meses deve ampliar os desafios do plantio no Brasil, exigindo do produtor rural mais planejamento operacional, revisão antecipada de máquinas e regulagens ajustadas à condição real de cada talhão. Em um cenário de maior risco de chuvas irregulares, excesso de umidade, seca localizada e janelas de trabalho mais curtas, a Crucianelli, multinacional fabricante de máquinas agrícolas, reforça que a qualidade da implantação depende da combinação entre tecnologia, leitura do solo e tomada de decisão no campo.
O tema ganha relevância diante da perspectiva de influência do El Niño sobre os regimes de temperatura e precipitação. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, águas mais quentes no Pacífico tropical favorecem o desenvolvimento do fenômeno, que tende a alterar padrões de chuva e elevar o risco de eventos climáticos extremos. Para a agricultura, isso significa maior necessidade de adaptação, especialmente em etapas sensíveis como o plantio, quando profundidade, distribuição, contato solo-semente e fechamento do sulco são determinantes para a formação do estande inicial.
Este cenário destaca a importância da eficiência operacional em uma agricultura que trabalha com áreas extensas, alto investimento por hectare e necessidade de aproveitar com precisão cada janela de plantio disponível. Na avaliação de Guillermo Zegna, gerente comercial da Crucianelli, eventos climáticos extremos tornam a operação mais complexa porque reduzem a previsibilidade das condições de campo. “Fenômenos como o El Niño tornam a operação de plantio mais desafiadora porque aumentam a irregularidade no clima e reduzem a previsibilidade das janelas de trabalho. O produtor pode enfrentar excesso de chuvas, solos saturados e dificuldade para entrar na área, ou períodos de seca, solos mais duros e menor disponibilidade de umidade para a semente”, afirma.
Nessas condições, a regulagem da plantadeira passa a ter papel central. Em solos úmidos, especialmente os de maior teor de argila, o excesso de pressão nas linhas pode compactar ou espelhar o sulco, dificultando o desenvolvimento inicial das raízes. Também crescem os riscos de embuchamento, aderência de barro, corte inadequado da palhada e fechamento deficiente. Já em áreas mais secas ou compactadas, a atenção deve se voltar à penetração dos discos, estabilidade da linha, profundidade uniforme e bom contato entre solo e semente. “A umidade define a qualidade de abertura, deposição e fechamento do sulco. Em solos muito úmidos, pode haver espelhamento, compactação lateral e fechamento deficiente. Nos secos, pode faltar terra fina para cobrir corretamente a semente e assegurar contato solo-semente. Por isso, não basta regular a máquina no início do dia: é preciso monitorar constantemente”, explica o especialista.
Outro ponto crítico a ser levado em consideração é a velocidade de plantio. Em janelas mais curtas, a tendência natural é tentar avançar mais hectares por jornada, mas a operação não pode comprometer a qualidade da implantação. Velocidades elevadas em solo úmido podem aumentar o acúmulo de barro e prejudicar o fechamento do sulco. Em áreas secas ou compactadas, podem ampliar a oscilação das linhas e gerar variação de profundidade, com reflexos diretos na emergência das plantas.
Como diminuir os riscos
Para a Crucianelli, o avanço da agricultura de precisão ajuda o produtor a reduzir parte desses riscos, desde que a tecnologia seja acompanhada por uma leitura correta das condições agronômicas. A Plantor 3.2, plantadeira da marca hoje disponível no Mercado brasileiro, por exemplo, reúne recursos como dosagem elétrica, corte linha a linha, monitoramento de semeadura, compensação de curva, fertilização variável e controle de pressão das linhas. A máquina também conta com três caixas centrais de 2.400 litros, sistema de carga de alta autonomia e configurações de grande largura operacional, características voltadas à redução de paradas, abastecimentos e deslocamentos.
“Quando a janela se encurta, a estratégia deve estar focada em plantar mais hectares por jornada, mas sem abrir mão da qualidade de implantação. Isso implica reduzir tempos de abastecimento, deslocamentos e manobras, além de trabalhar com equipamentos de grande autonomia e largura operacional”, destaca o gerente comercial.
A preparação antes da entrada no campo também se torna mais importante em safras sujeitas a extremos. A recomendação técnica inclui revisão de discos de corte, sulcadores, discos duplos, limitadores de profundidade, rodas compactadoras, dosadores de sementes e fertilizantes, condutores, sensores, raspadores, mangueiras, sistema de monitoramento e pontos de articulação. Em máquinas com maior nível de tecnologia embarcada, também é necessário verificar sistemas elétricos de dosagem, sensores de fluxo, transporte pneumático, controle de pressão e monitor de operação.
Sinais como sementes em diferentes profundidades, sulcos mal fechados, sementes expostas, palhada mal cortada, excesso de compactação sobre a linha, falhas, duplas e emergência desuniforme indicam que a máquina pode não estar trabalhando adequadamente. Em cenários de clima irregular, detalhes de regulagem podem se transformar em perdas relevantes, principalmente quando o produtor tem poucas oportunidades para corrigir a operação. “A recomendação é planejar antes de entrar no campo, revisar a plantadeira com antecedência, avaliar umidade e estrutura do solo, regular a máquina conforme a condição do talhão e não abrir mão da qualidade de plantio por velocidade. Em janelas curtas, a eficiência operacional é decisiva”, afirma Zegna.
O principal aprendizado, segundo a Crucianelli, é que não existe uma única regulagem para todas as condições. Áreas argilosas úmidas, talhões arenosos secos, solos compactados ou áreas com grande volume de palhada exigem ajustes distintos.
Por Kassi Bonissoni
