Para Lula, apesar das dificuldades apresentadas, existem caminhos a serem seguidos capazes de reverter as desigualdades. Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe”, afirma Lula, ao discursar na Cúpula do G7
Ao
discursar nesta terça-feira, 16 de junho, como convidado da Cúpula do
G7, realizada em Évian, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva cobrou dos países mais ricos mais empenho no apoio às nações mais
pobres, de modo a reduzir a
desigualdade no planeta.
Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”
- Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República
“Os
desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A
distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por
bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos,
a desigualdade entre
países ricos e pobres tem aumentado. Nossa tarefa é corrigir as
desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que
distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou
Lula.
“No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento. A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares”, lembrou o líder brasileiro, que ressaltou que essa realidade afetam a vida de milhões de pessoas em diversas regiões.
“Não
são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos
habitantes de países em desenvolvimento. São milhões de pessoas sem
acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola;
mulheres privadas de proteção; e
comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas. O
mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em
serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países
ricos”, prosseguiu
Lula.
Trechos de minha fala na reunião do G7 nesta terça:
Ainda
em 2003, uma das minhas primeiras tarefas como presidente do Brasil foi
participar da Cúpula do então-G8. Desde aquele ano estive em outras
nove cúpulas do G8 ou G7.
Em todas nos defrontamos com desafios que afetam… pic.twitter.com/w8LYRtFQ9Q
— Lula (@LulaOficial) June 16, 2026
GEOPOLÍTICA
Ainda se referindo à realidade atual da geopolítica, o presidente do
Brasil frisou que o neoliberalismo, em sua defesa de uma mínima
intervenção do Estado na economia, ampliou as desigualdades ao redor do
globo.
Lula também voltou a alertar para os riscos à democracia enfrentados por
diversos países.
“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de
mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O
neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que
hoje assolam as
democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como
respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, alertou.
EXEMPLOS DO BRASIL
Para
Lula, apesar das dificuldades apresentadas, existem caminhos a serem
seguidos capazes de reverter as desigualdades. “Precisamos de um sistema
financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher
entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio
não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de
implementação e de vontade política”, destacou.
Nesse
sentido, Lula citou o exemplo do Brasil. “Não faltam boas ideias.
Mecanismos inovadores como a troca de dívida por ação climática ou
investimentos sociais podem contribuir para ampliar o espaço fiscal dos
países mais vulneráveis. O Brasil
tem dado a sua contribuição. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre
(TFFF) vai canalizar investimentos para a conservação desse bioma e de
seus habitantes. A Aliança Global contra a Fome possibilita compartilhar
experiências e auxiliar a
implementação de políticas públicas eficazes na redução das
desigualdades. O estabelecimento do Painel Internacional sobre
Desigualdade, proposto pela presidência sul-africana do G20, apoiará com
dados e evidências a formulação de respostas
coordenadas a esse desafio”, listou.
CRIMES TRANSACIONAIS
O presidente brasileiro elogiou o G7 no empenho ao combate ao tráfico
de drogas, mas lembrou que essa missão não pode ser feita em apenas uma
frente e que, para isso, a cooperação internacional é um pilar
determinante. “A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico
de Drogas é um passo positivo. Mas o enfrentamento ao narcotráfico não
pode ser dissociado de outros ilícitos, como a lavagem de dinheiro e o
tráfico de armas. Valorizar o
diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol,
contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas
atividades criminosas”, afirmou Lula.
IA E MINERAIS CRÍTICOS
Ao final, Lula enfatizou que as discussões em torno da Inteligência
Artificial e dos minerais críticos devem ser mantidas quando se debate
os processos de desenvolvimento internacional. “Outro desafio que
não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o
desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência
Artificial. As transições energética e digital não podem reproduzir
padrões históricos que concentram
benefícios econômicos em poucos atores”, defendeu.
“Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, concluiu o presidente.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
