Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ministerial, no Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Em reunião ministerial, Lula defende soberania do Brasil e sequência de diálogo com os EUA
Ao abrir, nesta
quarta-feira (3/6), a segunda reunião ministerial de 2026, realizada
diante de um cenário em que o Brasil se vê sob ameaça de uma nova
taxação por parte dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva foi categórico na
defesa dos interesses da nação. “Esse país não adotará mais a política
de vira-lata diante das grandes potências”, afirmou Lula.
“Nós estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, eu diria até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes. Nós temos muita história, e nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil esta semana”, ressaltou o presidente.
REAÇÃO
O Governo do Brasil reagiu com argumentos sólidos à recomendação do
Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla
em inglês) de taxar em 25% os produtos brasileiros. Em nota à imprensa divulgada
nesta terça-feira (2/6), o governo, além de ressaltar sua indignação,
listou uma série de fatos que desabonam a recomendação por parte da
USTR. Também na terça-feira, o vice-presidente da República, Geraldo
Alckmin; o ministro do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e o
ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederam entrevista coletiva em que reforçaram os argumentos de defesa do país.
DIÁLOGO
O presidente lembrou que desde que as primeiras tarifas foram impostas
ao país, em julho de 2025, o Governo do Brasil tem trabalhado junto ao
governo dos Estados Unidos para reverter a taxação e que, mais uma vez,
adotará o caminho do diálogo, sem abrir mão da soberania do país em
nenhum momento deste processo.
“Ninguém pode
dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. O que é
que nós fizemos? Nós não fizemos bravata, nós não fizemos discurso. Nós
resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos
Estados Unidos, mas
mostrar a outros países e ao povo americano, a insensatez da punição ao
Brasil”, lembrou Lula.
30 DIAS
O presidente recordou, ainda, que durante o último encontro que teve
com o presidente Donald Trump, em Washington, no início de maio, ficou
acordado que representantes dos dois países discutiriam, por um período
de 30
dias, a questão das taxas até então remanescentes na tentativa de chegar
a um acordo.
“Na última
reunião houve uma divergência entre o meu ministro da Indústria e
Comércio, o meu ministro das Relações Exteriores com o ministro do
Comércio deles. Eu propus ao Trump, já que não tem acordo entre os dois
ministros, de darmos 30
dias para que os dois se entendam. Essa reunião ainda não concluiu nada.
Por isso a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais
uma taxação com relação ao Brasil. Eu saí de lá convencido de que a
gente estava estabelecendo uma
nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e
Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem, com a
decisão deles”, ressaltou Lula.
REUNIÃO DO G7
Ao voltar a defender a importância do multilateralismo, da democracia e
do fortalecimento da Organização das Nações Unidas para o equilíbrio do
cenário internacional, o presidente revelou que mudou de planos e
que participará da próxima reunião de líderes do G7, que será realizada
na França, no próximo dia 15. O G7 é formado por Alemanha, Canadá,
Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.
“Eu nem ia ao G7. Agora eu vou. Porque é preciso alguém tentar colocar ordem nessa coisa que está acontecendo de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo. É fortalecendo a ONU”, afirmou Lula, que voltou a cobrar uma reformulação no Conselho de Segurança da ONU.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
