Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Salvador (BA) reúne Brasil, Moçambique, Escócia e Austrália para debater soluções climáticas com participação cidadã
Entre os dias 10 e 16 de junho de 2026, a cidade de Salvador sediará o programa “Troca de Experiências e Boas Práticas pós-Deliberação”, um marco internacional para o projeto Assembleias Cidadãs de Moçambique sobre as Mudanças Climáticas. Iniciada em janeiro, a iniciativa promoveu debates que apontaram diretrizes para o aproveitamento das receitas, provenientes da exploração de recursos naturais, na mitigação dos impactos climáticos.
O evento, organizado pelo projeto GEPRES (Projeto de Gestão de Recursos Públicos para a Prestação de Serviços) do governo moçambicano e pela organização Delibera Brasil, com financiamento do Banco Mundial, reunirá representantes do governo das províncias Cabo Delgado e Tete, de Moçambique, e especialistas internacionais para discutir como transformar recomendações cidadãs em políticas públicas efetivas.
Entre os especialistas internacionais com presença confirmada estão:
- Doreen Grove:
lidera a participação do Governo da Escócia na Open Government
Partnership, atuando na promoção da transparência, da participação
cidadã e da inovação nos serviços públicos. Com formação em arqueologia e
história, integrou a Unidade de Estratégia do Governo Escocês durante o
período do Referendo de Independência da Escócia, experiência que
ampliou sua perspectiva sobre os processos políticos e sociais.
- Iain Walker:
diretor executivo da newDemocracy Foundation. Especialista em inovação
democrática e participação cidadã - liderou mais de 20 projetos para
governos locais e estaduais australianos, abordando temas como
planejamento financeiro, políticas públicas complexas e deliberação
cidadã. Também foi responsável pelo desenvolvimento do processo de Júri
Cidadão para a Yarra Valley Water, em Melbourne.
Agenda em Salvador
O encontro acontece em Salvador, na Bahia, para que representantes da cidade apresentem também suas próprias experiências de participação cidadã e planejamento público. As atividades terão como sede principal o Fera Palace Hotel, no Centro Histórico, e se estenderão para a Universidade do Estado da Bahia (Uneb). A programação está estruturada para enfrentar o maior desafio das assembleias climáticas: a consistência no acompanhamento das decisões.
- 10 de junho: discussão sobre desafios e indicadores de sucesso para a implementação das recomendações no contexto moçambicano.
- 11 de junho: apresentação de experiências reais da Escócia, da Austrália e de municípios brasileiros como Fortaleza, Francisco Morato e a própria Salvador.
- 12 de junho: mesas para debater a criação de mecanismos de governança e controle social.
- 15 e 16 de junho: Seminário na Uneb sobre Participação Cidadã, Mudanças Climáticas e Planejamento Público.
O que são as Assembleias Cidadãs de Moçambique?
Iniciado em janeiro de 2026, este projeto inédito liderado pelo Ministério das Finanças de Moçambique busca fortalecer a transparência na gestão das receitas da indústria extrativa. O processo utiliza a democracia deliberativa, onde grupos de cerca de 60 cidadãos, escolhidos por sorteio representativo (garantindo a inclusão de mulheres e grupos vulneráveis), debatem soluções para problemas complexos.
A pergunta central que guia as deliberações é: “Como utilizar as receitas provenientes da exploração de recursos naturais para reforçar a resiliência climática das comunidades?”. O projeto foca na chamada “regra dos 10%”, baseada nas Leis 15/2022 e 16/2022, que destinam essa porcentagem dos impostos de produção mineira e petrolífera para o desenvolvimento local.
Resultados Práticos: Vozes de Cabo Delgado e Tete
O workshop em Salvador analisará os resultados já obtidos nas províncias de Cabo Delgado e Tete.
- Em Cabo Delgado, os cidadãos priorizaram 13 ações, incluindo a mecanização agrícola, a construção de unidades sanitárias com maternidades e a criação de sistemas de aviso prévio liderados por jovens.
- Em Tete, as 11 recomendações finais destacaram a agricultura de conservação, o uso de energia solar em zonas rurais e a construção de escolas resilientes que sirvam de abrigo em crises.
Por Luanda Nera
