Janaina Porto Alegre. Crédito: divulgação Probiótica
Especialista explica o que acontece com o corpo e como prevenir a famosa consequência do excesso de álcool
Dor de cabeça, enjoo, cansaço e aquela promessa clássica de “nunca mais beber”. A ressaca, velha conhecida de quem exagera no álcool, é uma resposta do organismo à desidratação, inflamação e às alterações metabólicas provocadas pela bebida. Mas dá para minimizar os efeitos? Existe alguma forma de “curar” a ressaca? E em que momento o desconforto deixa de ser apenas incômodo e vira sinal de alerta? No dia 28 de fevereiro, nacionalmente conhecido como o Dia da Ressaca, a nutricionista Janaina Porto Alegre, consultora da Probiótica, explica o que realmente acontece com o corpo ao consumir álcool demais e como lidar melhor com o dia seguinte.
1: O que acontece de fato com o corpo quando consome álcool em excesso para causar o mal-estar da ressaca?
A ressaca ocorre porque o corpo entra em um estado temporário de desequilíbrio metabólico e inflamatório. O álcool é metabolizado no fígado e gera uma substância tóxica (acetaldeído) que contribui para sintomas como dor de cabeça, náusea e mal-estar. Além disso, o álcool inibe o hormônio antidiurético, aumentando a perda de líquidos e levando à desidratação e ao desequilíbrio de eletrólitos.
Paralelamente, o fígado reduz a produção de glicose, podendo causar fadiga, fraqueza e sensação de baixa energia. Além disso, o consumo elevado aumenta os mediadores inflamatórios no organismo, o que explica a sensação de corpo pesado e indisposição geral. Entenda que a ressaca não é apenas um desconforto passageiro, mas um estado temporário de toxicidade, desidratação, inflamação e alteração metabólica que compromete o funcionamento do organismo, inclusive a recuperação e a performance.
2: Quais estratégias realmente funcionam para evitar a ressaca?
Não existe fórmula milagrosa para evitar a ressaca. O que realmente funciona é reduzir o impacto metabólico do álcool no organismo. Mas algumas estratégias podem minimizar as alterações, como: moderação na quantidade, beber mais lentamente, permite que o fígado metabolize melhor o etanol e reduz o acúmulo de acetaldeído, não consumir álcool em jejum, intercalar com água para reduzir a desidratação e consumir alimentos antes e durante a ingestão de álcool, especialmente refeições com carboidratos e alguma gordura, retardando o esvaziamento gástrico e a absorção do álcool. Manter boa ingestão de líquidos também funciona, intercalando cada dose alcoólica com água reduz a desidratação e ajuda a manter o volume plasmático, antes de dormir ingerir líquidos com eletrólitos pode auxiliar na reposição hídrica. A única forma garantida de não ter ressaca continua sendo não exagerar.
3:Existe cura para a ressaca ou só dá para aliviar os sintomas?
Não existe uma cura imediata, o que acontece é que o organismo precisa de tempo para metabolizar o álcool e restabelecer o equilíbrio. Enquanto isso não ocorre, o corpo ainda está lidando com metabólitos tóxicos, além de desidratação, alterações inflamatórias, distúrbios do sono e desequilíbrios metabólicos. Nenhum medicamento ou suplemento consegue interromper esse processo de forma instantânea, pois o fígado depende do tempo para concluir a metabolização do álcool.
O que pode ser feito é aliviar os sintomas enquanto o corpo se recupera. Hidratação adequada, reposição de eletrólitos, alimentação leve com carboidratos e repouso.
4: Quando a ressaca deixa de ser algo “normal” e vira motivo de preocupação?
Na maioria das vezes, a ressaca é um quadro autolimitado que melhora em 24 horas. Alguns sintomas são comuns como: dor de cabeça, náusea, sensibilidade à luz, fadiga, sede intensa e mal-estar geral, mas tendem a regredir conforme o organismo metaboliza o álcool e restabelece o equilíbrio hídrico e metabólico.
Ela deixa de ser algo “normal” e passa a ser motivo de preocupação quando os sintomas são muito intensos, prolongados ou fogem do padrão esperado, como: vômitos persistentes, sinais importantes de desidratação (como confusão mental, tontura intensa ao levantar, redução acentuada da urina), dor abdominal forte e contínua, dor de cabeça incomum, febre, batimentos cardíacos muito acelerados ou alterações no nível de consciência não devem ser considerados apenas “ressaca”. Nesses casos, pode haver complicações que exijam avaliação médica.
5: Há alguma receitinha alimentar que ajuda um pouco mais o corpo nessa recuperação?
Sim, e posso explicar porque. Não existe uma “cura” para a ressaca, mas a receita de shake abaixo é um ótimo combo revitalizador para essa situação, porque: água e água de coco ajudam na reidratação; água de coco ainda fornece eletrólitos; whey protein, fornece aminoácidos importantes para recuperação metabólica; a banana é fonte de potássio e carboidrato fácil de digerir; a aveia fornece energia gradual e ainda ajuda no desconforto gástrico em algumas pessoas e o mel por ser uma reposição rápida de energia, ajudando a aliviar a sensação de moleza e fraqueza do corpo e ainda se houver náuseas pode acrescer gengibre. Veja como desfrutar de tudo isso com a receita abaixo:
Shake de recuperação pós-ressaca
Ingredientes:
- 200–300 ml de água gelada ou água de coco
- 1 scoop de whey protein (baunilha ou neutro funciona melhor)
- 1 banana
- 1 colher de sopa de aveia (opcional, mas ajuda na saciedade)
- 1 colher de chá de mel (opcional, para energia rápida)
- Gengibre a gosto
- Gelo a gosto
Modo de preparo:
Bata tudo no liquidificador até ficar homogêneo.
