Ação de vacinação contra a dengue em Maranguape, no Ceará: pessoas de 15 a 59 anos estão sendo imunizadas - Foto: Rafael Nascimento/MS
Começa estratégia piloto de vacinação contra a dengue com imunizante 100% nacional
O Governo do
Brasil iniciou neste sábado, 17 de janeiro, a vacinação contra a dengue
com o imunizante 100% nacional, de dose única, desenvolvido pelo
Instituto Butantan, com apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). A estratégia começa nos municípios-piloto de
Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com a imunização de pessoas de 15 a
59 anos. A iniciativa tem como objetivo avaliar o impacto da vacina na
dinâmica de transmissão da doença e reunir evidências que subsidiem a
ampliação da estratégia em todo o país. A partir deste domingo (18), o
município de Botucatu (SP) também passa a integrar a iniciativa.
Hoje é um dia histórico
para a saúde pública brasileira. Estamos aqui iniciando a vacinação
contra a dengue, com uma vacina do Butantan, 100% nacional, desenvolvida
no país. Agora, ela vai ajudar o SUS a combater uma doença que é um
problema de saúde pública muito sério. É uma vacina de dose única, a
primeira no mundo nesse formato, e nós sabemos que ela é muito segura e
protege muito bem as pessoas”
Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações
No
lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício,
Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos
municípios. “Essa é uma iniciativa que nós temos conduzido aqui no
Ceará, em Minas Gerais e no estado de São Paulo. Cidades escolhidas por
terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde
estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na
imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”,
afirmou.
“Hoje é
um dia histórico para a saúde pública brasileira. Estamos aqui iniciando
a vacinação contra a dengue, com uma vacina do Butantan, 100% nacional,
desenvolvida no país. Agora, ela vai ajudar o SUS a combater uma doença
que é um problema de saúde pública muito sério. É uma vacina de dose
única, a primeira no mundo nesse formato, e nós sabemos que ela é muito
segura e protege muito bem as pessoas”, reforçou o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, que acompanhou o início da vacinação em Nova Lima.
Ao longo
de um ano, as análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que
irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além do
monitoramento de possíveis eventos adversos raros após a imunização.
Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu (SP) na avaliação da
efetividade da vacina contra a Covid-19.
Nesta
primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três
municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e
64 mil para Nova Lima (MG). O quantitativo é suficiente para a vacinação
em massa da população-alvo nessas cidades e faz parte das 1,3 milhão de
doses produzidas pelo Instituto Butantan.
Para o
público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina japonesa, com
esquema de duas doses. Inicialmente disponibilizada para municípios 2,1
mil prioritários, a vacina agora está disponível em todo o país, nos
mais de 5 mil municípios. A vacina produzida pelo Butantan será
destinada às demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme o limite
máximo estabelecido em bula e regulamentado pela Anvisa.
AMPLIAÇÃO DA OFERTA
- Com a chegada de mais doses da Butantan DV, a imunização de
profissionais da Atenção Primária à Saúde está prevista para o início de
fevereiro. Cerca de 1,1 milhão de doses serão destinadas a
profissionais que atuam na linha de frente do SUS, como médicos,
enfermeiros e agentes comunitários, assim que esse volume estiver
disponível.
A
estratégia nacional, com vacinação do público geral, será implementada
conforme a disponibilidade de doses. Por meio da parceria de
transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa
chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o
país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de
15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.
QUEM PODE SE VACINAR?
Nos municípios-piloto, a vacina Butantan-DV será aplicada em pessoas
de 15 a 59 anos. A imunização ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS)
e outros pontos de vacinação instalados pela cidade e em locais
estratégicos.
A
Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única do mundo contra a
dengue. Além de facilitar a adesão ao esquema vacinal, oferece proteção
contra os quatro sorotipos do vírus. Os estudos clínicos indicam
eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de
proteção contra hospitalização por dengue.
Foram
quase 20 anos de pesquisas, em um processo que exigiu dedicação de
diferentes centros de pesquisa brasileiros, que contou ainda com apoio
de pesquisadores e instituição estrangeiros. Um marco importante ocorreu
ainda em 2008, quando o BNDES aprovou o primeiro financiamento para o
Butantan desenvolver imunizantes para doenças chamadas negligenciadas.
Foram R$ 32 milhões que também deveriam ser usados nos estudos de
vacinas para a dengue, a leishmaniose canina e o rotavírus.
O apoio
do BNDES não parou por aí. Em 2017, o BNDES aprovou financiamento de R$
97,2 milhões para ensaios clínicos e construção de uma planta de
escalonamento para fornecimento de doses contra a dengue. No total, a
participação do Banco corresponde a 31% dos R$ 305,5 milhões investidos
na vacina.
Em 2024, o
Brasil se tornou o primeiro país a ofertar vacina contra a dengue no
sistema público de saúde. O SUS mantém a vacinação de crianças e
adolescentes de 10 a 14 anos com o imunizante de duas doses atualmente
disponível. Para esse público, a vacinação é feita exclusivamente em
Unidades Básicas de Saúde (UBS).
CENÁRIO EPIDEMIOLÓGICO
Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024.
Apesar da redução expressiva, o Ministério da Saúde reforça que as ações
de combate ao Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o território
nacional.
Ao longo
do ano, foram registrados 1,7 milhão de casos prováveis da doença,
frente a 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também
apresentou queda significativa: 1,7 mil mortes em 2025, o que representa
redução de 72% em comparação a 2024, quando foram contabilizadas 6,3
mil mortes.
A principal forma de combate à dengue, chikungunya e zika segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação se soma às ações de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e tecnologias inovadoras.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
