Foto: Divulgação/Arquivo O Candeeiro
Janeiro Branco: saúde mental é pilar da dignidade humana e da produtividade social
Neste
mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, a campanha Janeiro
Branco ganha um novo contorno sob a análise do Defensor Público Federal
André Naves. Especialista em Direitos Humanos e Economia Política, Naves
alerta que o equilíbrio emocional não é apenas uma questão clínica
individual, mas um imperativo para a construção de uma sociedade
verdadeiramente inclusiva e economicamente sustentável.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil é o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo. No entanto, o acesso ao tratamento e, principalmente, a ambientes que não adoeçam os indivíduos, ainda é um privilégio de poucos.
O custo da exclusão
Para
André Naves, existe um nexo intrínseco entre a saúde mental e as
barreiras sociais. “A exclusão social, o capacitismo e a insegurança
econômica são vetores diretos de adoecimento mental. Quando negamos a
uma pessoa o direito ao trabalho digno ou à acessibilidade, estamos
ferindo sua integridade psíquica. A saúde mental é o alicerce que
permite ao indivíduo exercer sua cidadania de forma plena”, afirma o
defensor público.
Sob a
ótica da Economia Política, Naves destaca que o descaso com o tema gera
prejuízos bilionários. O absenteísmo ( a ausência não planejada ou
recorrente de um colaborador no trabalho - faltas, atrasos, saídas
antecipadas), a queda de produtividade e os custos previdenciários
decorrentes de transtornos mentais revelam que investir em saúde mental
é, também, uma estratégia de desenvolvimento nacional.
Além
do "Setembro Amarelo" e "Janeiro Branco" O defensor público defende que a
conscientização precisa se transformar em mudanças estruturais nas
organizações e no Estado:
- Políticas públicas: fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e integração da saúde mental em todas as esferas de atendimento público.
- Cultura organizacional: combate ao burnout e ao assédio, promovendo ambientes de trabalho que respeitem a neurodiversidade e os limites humanos.
- Educação inclusiva: preparar as escolas para acolher as diferenças, combatendo o bullying e o isolamento desde a infância.
“Não
podemos aceitar uma inclusão performática que ignora o bem-estar
subjetivo. A verdadeira justiça social acontece quando cada indivíduo se
sente seguro e pertencente, com sua dignidade mental preservada”,
pontua Naves.
Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: andrenaves.def.
Por Andreia Constâncio
