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Água como estratégia ESG: por que eficiência hídrica já virou fator de competitividade industrial = Por Francisco Carlos Oliver
Uma estratégia ESG vai muito além de estabelecer metas ambientais. Ela envolve incorporar critérios ambientais, sociais e de governança às decisões do negócio, considerando riscos, impactos e oportunidades no longo prazo. Quando aplicada à gestão da água, essa abordagem deixa de representar apenas um compromisso com a sustentabilidade e passa a contribuir diretamente para a eficiência e a competitividade das operações industriais.
Ao observar cada uma das dimensões do ESG, fica mais claro como a gestão da água pode atravessar diferentes áreas de uma empresa.
No pilar ambiental (E – Environmental), entram o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de desperdícios, o controle de efluentes e a gestão dos impactos da atividade industrial. A dimensão social (S – Social) considera os efeitos da operação sobre trabalhadores, comunidades e demais usuários dos recursos hídricos. Já a governança (G – Governance) está relacionada à definição de responsabilidades, ao cumprimento de normas, ao monitoramento de indicadores e à tomada de decisões baseada em dados.
Na prática, esses três pilares mostram que a água precisa ser tratada como um recurso estratégico dentro das empresas. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em 2024, a indústria respondeu por 9,9% da retirada de água para usos consuntivos no Brasil, ocupando a terceira posição entre os usos monitorados pelo órgão. Diante desse volume, conhecer o caminho percorrido pela água dentro das instalações industriais é um passo importante para identificar perdas e oportunidades de melhoria.
Uma das ferramentas para isso é o balanço hídrico, que permite visualizar quanto de água entra na operação, onde ela é utilizada, quanto retorna ao processo e o que é descartado. A análise dessas informações ajuda a identificar etapas com maior consumo, avaliar possibilidades de reuso e estabelecer indicadores capazes de orientar decisões mais eficientes.
A necessidade de avançar nessa direção também está relacionada à segurança hídrica. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a falta de água ou sua baixa qualidade já afeta o funcionamento de indústrias em diferentes regiões do país, dificultando a operação de plantas e inibindo novos investimentos. Para as empresas, portanto, o risco hídrico não está restrito a eventuais custos ambientais. Ele pode alcançar a continuidade da produção, o planejamento de investimentos e a própria capacidade de expansão.
Nesse sentido, estruturar uma gestão eficiente significa acompanhar todo o ciclo da água dentro da operação, desde a captação e o tratamento até o uso e o descarte. O monitoramento contínuo permite identificar desvios, antecipar problemas e direcionar investimentos para os pontos que apresentam maior potencial de ganho.
A eficiência hídrica, portanto, passa a fazer parte de uma agenda mais ampla de competitividade. Reduzir o consumo e os desperdícios é importante, mas o ganho está também em tornar a operação mais previsível, resiliente e preparada para lidar com restrições futuras. Em um ambiente industrial cada vez mais pressionado por custos, exigências regulatórias e riscos associados à disponibilidade de recursos, saber quanto se consome, onde se consome e como utilizar melhor a água deixa de ser apenas uma iniciativa ambiental. É uma decisão estratégica para a sustentabilidade do próprio negócio.
Francisco Carlos Oliver é diretor técnico industrial da Fluid Feeder, empresa especializada em soluções para tratamento de água e efluentes.
