Zeca Baleiro, Raquel Tobias e Os Prettos fazem shows no projeto “Som das Capas”, com entrada gratuita / Foto: Divulgação
Zeca Baleiro, Raquel Tobias e Os Prettos celebram os 80 anos de Elifas Andreato com shows gratuitos no centro de São Paulo
A obra de Elifas Andreato, um dos nomes fundamentais da arte gráfica brasileira, será celebrada em uma série de três shows gratuitos no centro de São Paulo. O projeto “Som das Capas” ocupará espaços emblemáticos da cidade, reforçando a ligação de Elifas também com a riqueza cultural das ruas e espaços alternativos.
A programação começa em 30 de agosto, às 14h, com show de Zeca Baleiro na Praça Vladimir Herzog e Espaço Cultural a Céu Aberto Elifas Andreato, no entorno do Terminal Bandeira. Em 26 de setembro, às 15h, Raquel Tobias assume o segundo encontro no Galpão Cultural Elza Soares, nos Campos Elíseos. O encerramento acontece em 5 de novembro, às 19h, com Os Prettos na Sala Olido, Centro Cultural Olido, no coração da cidade.
Criado para homenagear o universo dos discos cujas capas foram assinadas por Elifas Andreato, o projeto propõe um encontro entre música, artes visuais, memória e cultura popular brasileira. Em cada apresentação, uma banda fixa receberá um convidado especial e o repertório será construído a partir de capas marcantes criadas pelo artista. Com direção de Bento Andreato, filho de Elifas e diretor do Instituto Elifas Andreato, cada show reunirá músicas relacionadas a quatro capas de discos. Além das apresentações musicais, o público poderá conhecer histórias, bastidores e contextos de criação de algumas das imagens mais importantes da discografia nacional.
Entre os discos que inspiram o projeto estão obras como “Nervos de Aço”, de Paulinho da Viola; “Batuque na Cozinha”, de Martinho da Vila; “Luz das Estrelas”, de Elis Regina; “Um Brasileiro Errante”, de Renato Teixeira; “Caipira”, de Rolando Boldrin; “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque; “Nave Maria”, de Tom Zé; e “Traço de União”, de Beth Carvalho, entre outros.
Mais do que uma homenagem musical, “Som das Capas” evidencia como Elifas transformou capas de discos em obras de arte e ajudou a construir parte da memória visual da música brasileira. Suas imagens traduziram, em traço, cor e composição gráfica, a força de artistas, movimentos e personagens centrais da cultura nacional. “Elifas não apenas ilustrou discos. Ele ajudou a dar corpo visual à música brasileira. Muitas das imagens que criou se tornaram inseparáveis das canções, dos artistas e do momento histórico em que nasceram”, afirma Bento Andreato. “O ‘Som das Capas’ nasce desse diálogo entre o que se vê e o que se escuta. É uma forma de celebrar Elifas em praça pública, com música, memória e encontro.”
Artista gráfico, ilustrador, cenógrafo, editor, diretor artístico e criador de centenas de capas de discos, Elifas Andreato construiu uma obra marcada pelo engajamento social e político. Durante a ditadura militar, sua arte também se afirmou como instrumento de resistência, liberdade e defesa da democracia. Celebrar seu legado é revisitar parte essencial da história cultural brasileira, especialmente no cruzamento entre música, artes visuais, imprensa, teatro e luta democrática.
Um dos locais escolhidos para o projeto também carrega forte dimensão simbólica. A Praça Vladimir Herzog e Espaço Cultural a Céu Aberto Elifas Andreato foi idealizada por Elifas ao lado de personalidades ligadas à defesa da democracia e dos direitos humanos. O espaço abriga obras do artista, como “Vlado Vitorioso”, uma réplica do Troféu Vladimir Herzog e um mural inspirado no quadro “25 de Outubro”.
A série de shows integra o movimento cultural realizado há mais de cinco anos na praça, em encontros mensais que reúnem arte, música, memória, cidadania e convivência. A iniciativa se soma às ações de 23 entidades como o Instituto Elifas Andreato, do Instituto Vladimir Herzog, da Oboré, da Associação Brasileira de Imprensa, da Colibri & Associados Comunicações, do Instituto Premier, entre outros, em torno do encontro “Todo Mundo Tem Que Falar, Cantar e Comer”.
Sobre Elifas Andreato
Elifas Andreato foi um dos mais importantes artistas gráficos e ilustradores brasileiros. Nascido em Rolândia, no Paraná, em 1946, tornou-se referência por sua atuação em capas de discos, cartazes, gravuras, ilustrações, cenografias, projetos editoriais e obras ligadas à cultura popular brasileira. Sua produção atravessa a música, o teatro, a imprensa e a militância democrática, com uma linguagem visual marcada por força narrativa, sensibilidade social e profunda identidade brasileira. Ao longo de sua trajetória, Elifas criou imagens que se tornaram parte da memória afetiva e política do país.
Sobre o Instituto Elifas Andreato
O Instituto Elifas Andreato é uma organização dedicada à preservação, difusão e atualização do legado artístico, cultural e humanista de Elifas Andreato. Sua missão é reconhecer e ampliar a contribuição do artista para a cultura brasileira e para a educação, com base na cidadania e nos direitos humanos, promovendo a arte como ferramenta de transformação sociocultural. Dirigido por Bento Andreato, o Instituto atua na valorização do acervo, da memória e da obra de Elifas, articulando projetos culturais, exposições, ações educativas e iniciativas voltadas à circulação de sua produção entre diferentes públicos e gerações. O IEA também integra a plataforma Google Arts & Culture, onde apresenta parte do universo visual e biográfico do artista.
Serviço
Projeto: Som das Capas — shows em homenagem a Elifas Andreato
Entrada: gratuita
Instagram: @institutoelifasandreato
Classificação indicativa: livre
Zeca Baleiro
Data: 30 de agosto de 2026
Horário: 14h
Local: Praça Vladimir Herzog / Espaço Cultural a Céu Aberto Elifas Andreato
Endereço: Rua Santo Antônio, 33 — Bela Vista — São Paulo/SP
Referência: atrás da Câmara Municipal de São Paulo, em frente ao Terminal Bandeira.
Raquel Tobias
Data: 26 de setembro de 2026
Horário: 15h
Local: Galpão Cultural Elza Soares
Endereço: Alameda Eduardo Prado, 474 — Campos Elíseos — São Paulo/SP.
Os Prettos
Data: 5 de novembro de 2026
Horário: 19h
Local: Sala Olido / Centro Cultural Olido
Endereço: Avenida São João, 473 — Centro — São Paulo/SP.
Por Fernando Sant'Ana
