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Modelo de negócio para tratamento de câncer de pele garante vitória no Desafio Unicamp 2026
Um modelo de negócio baseado em uma tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o tratamento do câncer de pele conquistou o primeiro lugar no Desafio Unicamp 2026. Desenvolvida pela equipe LumiNova, formada por estudantes da Ilum Escola de Ciência, a proposta foi a vencedora tanto na categoria Avaliação da Banca quanto no Voto Popular da competição de empreendedorismo, cuja final foi realizada nesta terça-feira (21), em formato virtual, com a participação de 360 espectadores.
Organizado anualmente pela Agência de Inovação Inova Unicamp, o Desafio Unicamp 2026 reuniu 80 equipes de 14 estados brasileiros. Após as etapas de capacitação e desenvolvimento dos modelos de negócio baseados em tecnologias protegidas da Universidade, seis equipes chegaram à final, na qual apresentaram seus pitches para uma banca de especialistas e para o público que acompanhou a transmissão ao vivo.
“O Desafio Unicamp tem consolidado seu alcance nacional ao reunir participantes de todas as regiões do Brasil e registrar um público significativo no evento da final. Esses resultados refletem a relevância que a competição conquistou ao longo dos anos, além do interesse crescente pelo empreendedorismo tecnológico e pelo potencial das pesquisas desenvolvidas na Unicamp”, destaca Marina Silva, gerente de inovação e administração na Inova Unicamp.
A LumiNova desenvolveu seu modelo de negócio a partir da tecnologia da Unicamp que consiste em um processo para obtenção de dispositivos terapêuticos destinados ao tratamento do câncer de pele por meio de ligantes bioativos. A equipe é formada por Gisela Ceresér Kassick, Lília Helena Gavazza Pessôa, Lívia Maria Barbosa de Aragão, Mariana Melo Pereira – estudantes de graduação do curso de Ciência e Tecnologia do Ilum Escola de Ciência – e Samarah Luiza de Medeiros Ramos.
Solução para tratar o segundo câncer de pele mais comum do mundo
O carcinoma de células escamosas, também chamado de carcinoma espinocelular, é o segundo tipo mais comum de câncer de pele, segundo a Skin Cancer Foundation e da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Atualmente, o tratamento da doença costuma ser invasivo, podendo deixar sequelas físicas e impactar a qualidade de vida dos pacientes.
Diante desse cenário, pesquisadores da Unicamp e da Universidade de Ararquara (Uniara) desenvolveram uma membrana de celulose impregnada com complexos de prata, produzida com ligantes bioativos, que deu origem a dispositivos de liberação sustentada de complexos metálicos. A combinação, batizada de AgNMS, é fruto de pesquisa do Centro de Inovação Teranóstica em Câncer, o CancerThera, sediado na Unicamp e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Batizada de Oncopatch pela equipe LumiNova, a solução funciona como um curativo aplicado diretamente sobre a lesão. “É um curativo para o tratamento de câncer de pele, baseado em celulose bacteriana, impregnada com um complexo de nanopartículas de prata e nimesulida”, explicou Lília Helena Gavazza Pessôa, integrante da equipe LumiNova, durante a apresentação. Segundo a estudante, a prata ativa as vias de morte tumoral e inibe a proliferação do tumor, enquanto a nimesulida atua com ação antioxidante e anti-inflamatória.
O curativo libera o princípio ativo por até nove dias. Os testes indicaram redução visível do tumor a partir de 21 dias e queda de 75% na taxa de crescimento tumoral. A equipe destacou ainda que o produto exige apenas trocas esporádicas, realizadas em casa pelo próprio paciente, e não agride a pele, graças à membrana de celulose bacteriana.
Para que a tecnologia possa chegar ao mercado e beneficiar pacientes, as próximas etapas envolvem o licenciamento por meio da Inova Unicamp e o desenvolvimento da solução em parceria com empresas, viabilizando sua futura disponibilização à sociedade.
Programação reuniu equipes, mentores e investidores
O evento teve abertura e moderação de Caroline Roxo, analista de comunicação da Inova Unicamp, seguidas de boas-vindas e apresentação das equipes por Marina Silva, gerente de inovação e administração da Inova Unicamp. Ao longo da tarde, as seis equipes finalistas apresentaram seus pitches em sequência, intercalados por bate-papos com convidados do ecossistema de inovação e investimento, entre eles Oswaldo Fernandes, sócio-diretor da Baita Aceleradora, Diego Rondon, investidor e CEO da E-volve.in, e Virgílio Ferreira Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S.
Concorreram na final as equipes BloodCare, GreenBuild, LumiNova, MedulaX, Petrolearning e SynBiose. Ao final das apresentações, o público votou na categoria Voto Popular, e o resultado da Avaliação da Banca foi anunciado na sequência, antes do encerramento oficial do evento. O Desafio Unicamp 2026 contou com interpretação simultânea em Libras (Língua Brasileira de Sinais) em toda a transmissão, ampliando o acesso ao conteúdo.
Desafio Unicamp 2026
O Desafio Unicamp é o principal programa de estímulo ao empreendedorismo tecnológico da Unicamp. A competição incentiva a formação de spin-offs acadêmicas a partir de tecnologias protegidas pela Universidade e reúne, a cada edição, workshops, mentorias nacionais e internacionais e treinamentos voltados às equipes participantes.
Ao menos 11 spin-offs acadêmicas foram fundadas por participantes do programa. Além disso, 71 ex-participantes do Desafio Unicamp figuram como sócios em outros 54 empreendimentos mapeados. O levantamento foi realizado a partir da comparação entre a lista de inscritos na competição e a base de empresas-filhas da Unicamp cadastradas voluntariamente junto à Inova.
O programa também carrega um reconhecimento internacional, em que ficou entre as dez soluções mais inspiradoras do prêmio IASP Solutions, da Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação.
Os patrocinadores do Desafio Unicamp 2026 são: FM2S – Educação e Consultoria, Baita Aceleradora e Neger Telecom.
Os apoiadores do Desafio Unicamp 2026 são: AUIN – Agência Unesp de Inovação, Campinas Tech, CIESP Campinas, Softex Campinas, UniAngels, Incamp e Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.
Por Isabele Scavassa – Inova Unicamp
