Foto: Divulgação
ARTIGO - Quando o mar avança, a lei precisa acompanhar = Por Baudilio Gonzalez Regueira
A
navegação de longo curso, a cabotagem e a navegação interior vêm
registrando desempenho histórico, segundo dados do Estatístico
Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Entre
janeiro e setembro, os portos brasileiros movimentaram 1,04 bilhão de
toneladas de cargas, um aumento de 3,25% em relação ao mesmo período de
2024. Somente em setembro, o volume alcançou 120,4 milhões de toneladas.
Esse crescimento do setor evidencia a necessidade de maior atenção à
legislação e à formação de profissionais, especialmente na área
jurídica.
O
Brasil ainda se encontra em estágio inicial no alinhamento de seu
ordenamento jurídico às normas internacionais que regem o Direito
Marítimo. Persistem desafios relevantes para a harmonização entre a
legislação interna e os padrões globais. Temas como a limitação de
responsabilidade e a regulação do setor, evidenciam a necessidade de
atualização e modernização.
Com a evolução dos estudos sobre o tema e o crescente interesse de operadores do Direito e do setor marítimo, há uma tendência de maior integração normativa, com a incorporação de modelos internacionais. Esse movimento tende a fortalecer a segurança jurídica, a previsibilidade das decisões e a competitividade das operações marítimas no país.
A
expansão das operações portuárias e logísticas aumentou
significativamente o número de contratos e disputas envolvendo
transporte marítimo, armazenagem, frete e avarias, o que exige maior
qualificação dos profissionais.
Empresas
de navegação, agentes marítimos, terminais e importadores passaram a
buscar assessoria jurídica especializada para garantir segurança nas
operações e prevenir litígios.
Nesse
contexto, é importante a constante atualização dos profissionais diante
das novas demandas trazidas pela modernização do setor portuário e pela
expansão do comércio exterior. A globalização e o aumento do fluxo de
mercadorias exigiram profissionais capazes de lidar com normas
internacionais, seguros marítimos, transporte multimodal, questões
aduaneiras e regulatórias, o que impulsionou a valorização da área.
Um
exemplo desse desenvolvimento é o Núcleo 4.0 de Direito Marítimo,
sediado em Santos (SP), que reúne competência especializada para julgar
questões marítimas, portuárias e aduaneiras. A iniciativa garante
decisões mais técnicas, uniformes e seguras, fortalecendo a eficiência e
a previsibilidade do Judiciário no setor.
É
preciso considerar que o Direito Marítimo caminha lado a lado com a
transição ecológica e a inovação tecnológica. Questões como redução da
emissão de carbono, uso de combustíveis alternativos, compliance
ambiental e digitalização de processos portuários já são pautas
obrigatórias. O setor jurídico tem papel decisivo na criação de
contratos e políticas que incorporem essas novas exigências. A chegada
de navios autônomos e inteligência artificial na gestão de cargas indica
que a advocacia marítima precisará se adaptar continuamente, e isso
abre espaço para um novo perfil de advogado, mais técnico, conectado e
global.
Baudilio
Gonzalez Regueira é advogado, sócio da Reis, Braun e Regueira Advogados
Associados, com 25 anos de experiência em direito marítimo e direito
dos transportes. Possui pós-graduação em processo civil e especialização
em direito marítimo na Universidade Católica de Santos. Formado também
em Comunicação pela PUC-SP.
