Artista de dança e professora Bel Sôuza é Maria Vermelha / Foto: Gilberto Goulart
Após temporada na Nigéria, espetáculo de dança Maria Vermelha terá apresentação única em Salvador, dia 18 de junho
Após a estreia em Belo Horizonte (MG), em 2024, e uma temporada na Nigéria, chega a Salvador o espetáculo de dança-teatro Maria Vermelha, no dia 18 de junho, às 19h, no Espaço Xisto Bahia. Protagonizado pela artista da dança Bel Sôuza, o solo aborda, como forma de conscientização e combate, situações de violência contra a mulher e opressão ao feminino. Maria Vermelha usa a cor do sangue para falar sobre ser mulher: os desafios, as dores e prazeres, a busca pela liberdade. Baseado na obra ‘Inventário Vermelho’, o espetáculo traz a figura da Pombogira (ou Pomba-gira) para contar e dançar as histórias presentes no livro organizado por Danielle Andrade. Nele, vinte e uma mulheres de diversas partes do país foram convidadas a dialogar através de cartas. Cada carta expunha uma das muitas dores de ser mulher e era respondida com outra, com uma proposta de cura àquela dor. Entidade espiritual presente em cultos e religiões de matriz africana no Brasil, a Pombogira simboliza o feminino em sua essência. Ela está ligada, no Candomblé, ao Orixá Exu, mensageiro entre o mundo invisível e o dos sentidos, onde estamos encarnados. Já na Umbanda, as Pombogiras são consideradas Exus femininos. “Entre palavras, cantigas e movimentos faz-se a ponte entre o mundo invisível e o dos sentidos, tecendo uma trama de vidas e reconstruções do que já foi despedaçado”, destaca Bel Sôuza, que se apresentou com Maria Vermelha em 2025 no Festival Lagos Fringe e na Universidade de Ibadan, ambos na Nigéria. Ela é dirigida por Rosa Antuña. A colaboração coreográfica é de Aline Caldeira. O espetáculo é uma atividade complementar do Projeto Maria Vermelha - Circulação Nigéria, apoiado pelo Edital de Mobilidade Cultural 2025/2026 da Secult-BA. Antes de Maria Vermelha, o bailarino e coreógrafo Matias Santiago apresenta o solo Megê - aquele dividido em 7. O espetáculo explora a essência de Ogum, orixá associado ao ferro, às guerras e à tecnologia, através de uma estética afrofuturista. Ajuda para Bira Monteiro A entrada para o evento é gratuita mas pede-se uma contribuição voluntária em prol do percussionista Bira Monteiro, que precisa realizar uma cirurgia oftalmológica de alto risco, em Brasília. Conhecido e querido no mundo artístico da Bahia, Bira atuou na formação da maior parte dos profissionais de dança de Salvador. Sobre Bel Sôuza Natural de Belo Horizonte, radicada em Salvador, é artista da dança, professora e doutoranda na Escola de Dança da UFBA, candomblecista. Desenvolve, desde 2000, trabalhos cênicos autorais, que articulam a dança e outras linguagens e campos do conhecimento como as ciências da saúde, o teatro e o audiovisual. SERVIÇO Espetáculo Maria Vermelha, com Bel Sôuza Abertura: Megê, com Matias Santiago Quando: 18 de junho, 19h Onde: Espaço Xisto Bahia - Complexo da Biblioteca Pública dos Barris - Rua General Labatut, 27 - Barris Quanto: Gratuito, com sugestão de colaboração para cirurgia de Bira Monteiro Classificação etária: 14 anos Por Nilma Gonçalves
Duração: 33 minutos
