Foto: Juliana Caldas
Embrapa apresenta variedades de soja de alto rendimento no Dia de Campo da Competição de Cultivares
A Embrapa Cerrados apresentou, nesta sexta-feira (20), durante o Dia de Campo da Competição de Cultivares de Soja – Agrobrasília 2026, organizado pela Coopa-DF, duas novas variedades desenvolvidas em parceria com a Fundação Cerrados: BRS 6981 IPRO e uma linhagem (grupo de maturidade 7.3) em pré-lançamento. Os materiais combinam alto teto produtivo com resistências genéticas que contribuem para reduzir a necessidade de aplicações químicas, garantindo maior retorno econômico e mais sustentabilidade ao produtor e a toda a cadeia da soja.
A competição de cultivares é um ensaio comparativo conduzido em condições reais de campo, que avalia o desempenho de diferentes variedades sob o mesmo manejo, na mesma época de plantio e com critérios técnicos padronizados. O objetivo é permitir uma comparação precisa da produtividade e do comportamento agronômico dentro de cada grupo de maturação. Nesta edição, participam 20 empresas, com a avaliação de 53 cultivares. O resultado será divulgado no dia 30 de abril.
Na abertura do evento, o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, destacou a importância de ampliar as opções disponíveis ao produtor. “Esperamos que as variedades desenvolvidas pela Embrapa gerem alternativas para que os produtores possam adaptar seus sistemas de produção e alcançar os benefícios esperados”, afirmou. A cerimônia contou ainda com a presença do presidente da Coopa-DF, José Guilherme Brenner; do vice-presidente da Coopa-DF, Leandro Maldaner; do presidente da Emater-DF, Cleison Duval; e do secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF, Rafael Bueno.
O pesquisador da Embrapa Cerrados André Ferreira apresentou as duas novas cultivares. A BRS 6981 IPRO, de grupo 6.9, é considerada precoce, com ciclo entre 100 e 105 dias na região. O material viabiliza com segurança a segunda safra de milho, com população recomendada entre 360 mil e 400 mil plantas por hectare. Além do alto potencial produtivo, a cultivar apresenta resistência às raças 1 e 3 de nematoide de cisto, resistência moderada aos nematoides de galha (Meloidogyne incognita e Meloidogyne javanica) e resistência à ferrugem asiática da soja. A combinação de precocidade e resistência pode reduzir a pressão de doenças, dependendo da época de plantio e da região, contribuindo para diminuir custos com fungicidas e nematicidas.
A segunda cultivar pertence ao grupo 7.3 e possui ciclo entre 112 e 115 dias, com tecnologia Intacta 2 Xtend. A população recomendada é de cerca de 340 mil plantas por hectare. Nos ensaios, o material superou cultivares comerciais em 12% a 14% de produtividade, podendo alcançar entre 80 e 100 sacas por hectare, conforme as condições de cultivo. Também apresenta resistência moderada ao nematoide javânica e permite o planejamento de uma segunda safra bem estruturada.
Durante a apresentação, o pesquisador também relembrou o papel histórico da Embrapa na viabilização da soja no Cerrado. Há mais de 50 anos, quando os primeiros estudos começaram, muitos consideravam a iniciativa inviável, já que a produção estava concentrada no Sul do país. Segundo ele, o trabalho de tropicalização da cultura, aliado a pesquisas em correção de solo, como calagem e gessagem, ajuste de fertilidade e melhoramento genético, foi decisivo para transformar o Cerrado em uma das principais regiões produtoras do Brasil, que hoje se aproxima de 50 milhões de hectares cultivados.
Ao final, André Ferreira reforçou que a Embrapa segue investindo em diferentes plataformas tecnológicas, incluindo soja convencional, Intacta, Intacta 2 Xtend e novas gerações, como a Intacta 5+, sempre com foco em produtividade, redução de custos, sustentabilidade e lucratividade no longo prazo. “A Embrapa está sempre atenta à sustentabilidade do produtor e à viabilidade da atividade no longo prazo”, concluiu.
Por Juliana Caldas
